60% dos evangélicos se sentiram ofendidos com desfile da Acadêmicos de Niterói
Um levantamento inédito realizado pelo Instituto Ideia mensurou o descontentamento do público evangélico com o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, ocorrido no último domingo (15), na Sapucaí. A polêmica central gira em torno da ala “Família em Conserva”, que apresentou figurantes representando religiosos dentro de latas de conserva em uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Percepção de Preconceito e Liberdade Religiosa
Para a maioria absoluta dos entrevistados, a representação ultrapassou os limites da arte. Os dados mostram que 61,1% dos evangélicos viram preconceito na abordagem da escola, apontando ainda uma ofensa direta à liberdade de crença.
Em contrapartida, o entendimento de que a ala seria uma forma de expressão válida é minoritário:
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11% classificam o ato como uma crítica artística legítima.
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8,7% interpretam o desfile como uma sátira aceitável.
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19,2% preferiram não opinar sobre o tema.
Impacto Social e Polarização
O estudo também investigou os reflexos políticos e sociais da performance. De acordo com o Ideia, 48,3% dos ouvidos acreditam que a iniciativa da agremiação fluminense acirra a polarização política e religiosa no país ou, ainda, contribui para a normalização de discriminações simbólicas.
Por outro lado, 38,2% possuem uma visão mais otimista, defendendo que a ala fomenta o debate público ou gera uma reflexão crítica necessária. Já 13,4% dos participantes consideram que o episódio não terá impactos relevantes na sociedade.
Amplo Alcance e Comparação com Outras Crenças
A repercussão do desfile foi massiva dentro do segmento. Aproximadamente 75% dos evangélicos tomaram conhecimento do ocorrido, sendo que:
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19,1% assistiram ao desfile ou trechos em vídeo.
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45,9% souberam por meio de notícias ou redes sociais.
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Apenas 23,9% afirmaram desconhecer o episódio.
Um ponto de destaque na pesquisa é a sensação de tratamento desigual: 35,1% acreditam que, se a sátira fosse direcionada a outro grupo religioso, a reação social e institucional seria consideravelmente mais severa. Para 29,3%, a repercussão seria idêntica, enquanto 14,8% discordam da tese de tratamento diferenciado.
Metodologia A pesquisa do Instituto Ideia foi conduzida via internet no dia 18 de fevereiro, ouvindo 656 pessoas que se identificam como protestantes ou evangélicas, abrangendo 315 municípios brasileiros. O levantamento possui margem de erro de 3,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
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