Em entrevista ao Estadão, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello fez duras críticas ao colega Alexandre de Moraes, afirmando que seu comportamento no exercício do cargo demanda “análise psicológica”. Segundo ele, decisões como censura a diálogos e imposição de medidas cautelares extremas ferem a democracia e desgastam a Corte.
“Atuação alargada do STF gera desgaste institucional”, diz ex-ministro
Marco Aurélio questionou a postura de Moraes, que, em sua avaliação, adota medidas “incompreensíveis” para um Estado Democrático de Direito. Citou como exemplo a proibição de debates públicos, que classificou como “mordaça e censura prévia no século XXI”. Para o ex-magistrado, a história cobrará tais atos, que, segundo ele, maltratam a Constituição.
Sobre o respaldo da Primeira Turma do STF às decisões de Moraes, Marco Aurélio criticou o que chamou de “espírito de corpo indevido”. Defendeu que cada ministro deve agir com independência, sem solidariedade automática. “Quando integrei o colegiado, votava conforme minha convicção, não para somar votos”, destacou.
Tornozeleira em Bolsonaro é “humilhação desnecessária”, afirma
O ex-ministro também condenou a imposição de tornozeleira eletrônica ao ex-presidente Jair Bolsonaro, medida que considerou excessiva e degradante. “Tratam-no como um bandido de alta periculosidade, o que desrespeita a instituição da Presidência”, afirmou. Disse que, se ainda estivesse no STF, acompanharia o voto do ministro Luiz Fux, contrário à restrição.
Marco Aurélio ainda questionou a condução do processo no foro privilegiado, lembrando que, no passado, o presidente Lula respondeu a ações na Justiça comum. “Por que Bolsonaro é julgado no STF? A legislação não mudou. Isso é inexplicável”, indagou.
Chamado à moderação: “STF deve agir como colegiado, não como voz individual”
Por fim, o ex-ministro pediu temperança ao Supremo, defendendo correção de rumos sem “censura prévia ou atropelos”. “A Corte precisa agir coletivamente, não por decisões monocráticas, e avaliar as repercussões de seus atos. Só assim avançaremos”, concluiu.
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