Plano de IA dos EUA prevê leis mais leves e combate a ‘ideologias’
Washington, 23 de janeiro – A administração Trump apresentou nesta quarta-feira um plano abrangente para posicionar os Estados Unidos como líder global em inteligência artificial (IA), com medidas que incluem a redução de barreiras regulatórias, o estímulo à inovação privada e o enfrentamento direto da China na disputa por supremacia tecnológica.
Intitulado America’s AI Action Plan: Winning the Race (“Plano de Ação de IA da América: Vencendo a Corrida”), o documento de 28 páginas estabelece três eixos principais: aceleração do desenvolvimento tecnológico, expansão da infraestrutura e fortalecimento da diplomacia em segurança digital. O texto enfatiza a necessidade de superar adversários geopolíticos, em especial a China, e critica normas que, segundo o governo, travam o progresso da indústria.
Desregulamentação como Prioridade
O plano propõe a revisão de leis consideradas obstáculos ao avanço da IA, incluindo licenças ambientais e regras trabalhistas. “Os EUA devem inovar mais rápido do que os concorrentes e eliminar entraves burocráticos que limitam o setor privado”, afirma o texto. Gigantes como OpenAI, Google e Meta – que já manifestaram preocupação com legislações restritivas, como as da União Europeia – tendem a ser beneficiadas pela iniciativa.
No campo dos direitos autorais, a estratégia não menciona explicitamente o uso de obras protegidas para treinamento de modelos, mas defende a liberdade no aproveitamento de “dados publicamente disponíveis”. Recentemente, a Meta solicitou à Casa Branca que formalizasse essa permissão por meio de decreto.
Revogação de Medidas do Governo Biden
Em uma clara mudança de rumo, a atual gestão derrubou uma ordem executiva de Biden que impunha controles mais rígidos sobre o desenvolvimento de IA, incluindo avaliações de risco. O novo documento sugere ainda que estados com legislações mais duras, como a Califórnia – governada pelo democrata Gavin Newsom –, podem ser excluídos de investimentos federais em tecnologia.
Infraestrutura e Impacto Ambiental
O plano prevê flexibilizações para a construção de data centers e fábricas de semicondutores, alegando que as atuais exigências ambientais retardam projetos essenciais. Especialistas alertam, porém, para os riscos do aumento no consumo de água e energia – muitas vezes provenientes de fontes não renováveis – exigido por essas estruturas.
A estratégia reforça o tom de competição global, colocando a desburocratização como peça-chave para garantir a hegemonia norte-americana na era da inteligência artificial.
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