Trump adota ‘tática de guerrilha’ contra Moraes
A tensão entre o governo dos EUA e o Brasil tem crescido de forma notável, com a administração de Donald Trump intensificando a pressão sobre o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia, considerada inédita, inclui pronunciamentos oficiais, entrevistas e posts em redes sociais, como o X. Um exemplo recente é a declaração de Jason Miller, conselheiro de Trump, que prometeu não desistir até que Jair Bolsonaro seja “livre”.
A Embaixada dos EUA em Brasília tem desempenhado um papel ativo na disseminação dessas mensagens, republicando no X as posições de Trump e de seus secretários. Embora a relação bilateral tenha sido inicialmente amena, focada em cooperação e imigração no primeiro semestre, a situação mudou drasticamente. Em maio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas a embaixada apenas divulgou comentários genéricos sobre a importância dos laços econômicos.
A escalada começou para valer no fim de julho, quando o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou uma nova política de restrição de vistos para autoridades que colaboram com a censura a americanos. A embaixada traduziu e publicou o aviso de Rubio, ressaltando que a liberdade de expressão é um “direito de nascimento” que governos estrangeiros não podem violar.

Pouco depois, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental endossou a posição, com a embaixada retuitando a mensagem de que “nenhum inimigo da liberdade de expressão dos americanos será perdoado”. Apesar disso, quase um mês se passou sem novas publicações polêmicas, exceto por um post da Nasa sobre uma área de terras raras no Brasil, que gerou especulações sobre um possível recado velado.
A partir de julho, as ameaças se tornaram mais concretas. Em uma carta a Lula no dia 9, Trump ameaçou taxar as exportações brasileiras em 50% e exigiu o fim da perseguição judicial a Bolsonaro. A embaixada dos EUA reforçou essa mensagem, repostando um alerta de Dearren Beattie, do Departamento de Estado, sobre as “consequências” que o STF de Moraes e o governo Lula enfrentariam por “ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio dos EUA”.
Em 16 de julho, a investigação da Seção 301 do USTR contra o Brasil por “práticas comerciais desleais” foi anunciada, e a embaixada a divulgou, reforçando a pressão econômica. Dias depois, quando Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica, a representação diplomática postou um tuíte de Rubio citando a ameaça de Trump de punir “cidadãos estrangeiros responsáveis por censurar a liberdade de expressão”.
A postura mais incisiva veio no dia 24, com a embaixada republicando um post de Dearren Beattie que acusava Moraes de ser o “coração pulsante” da perseguição a Bolsonaro e da restrição à liberdade de expressão nos EUA. A escalada culminou em 30 de julho, quando o Departamento do Tesouro aplicou a Lei Global Magnitsky contra Moraes e a Casa Branca antecipou o anúncio de tarifas contra o Brasil.
A tensão continuou a aumentar, com o subsecretário de Estado Christopher Landau entrando na discussão publicamente. Em um post republicado pela embaixada, ele afirmou que Moraes “destruiu” a relação bilateral e “usurpou poder ditatorial” ao ameaçar líderes de outros poderes. Landau classificou a situação como “sem precedentes e anômala”, especialmente porque o juiz se esconde atrás da toga, o que impede uma negociação tradicional.
Essa “diplomacia de guerrilha” é, em parte, resultado da aparente falta de iniciativa do governo Lula em buscar uma solução diplomática. A reunião de Haddad e Bessent em maio mostra que o diálogo existe, mas a falta de vontade política do governo brasileiro sugere um objetivo de agravar a crise para se afastar dos EUA e se aproximar de países como a China.
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