Em uma grande operação contra a facção criminosa PCC, a Polícia Federal desmantelou um esquema bilionário de adulteração e venda de combustíveis. As investigações revelaram uma movimentação financeira ilegal superior a R$ 23 bilhões.
Batizadas de Operação Quasar e Operação Tank, as ações ocorreram nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. As autoridades obtiveram 14 mandados de prisão, 54 de busca e apreensão, e o bloqueio de bens de 41 pessoas e 255 empresas.
De acordo com a PF, as fraudes incluíam a adulteração de combustíveis, uso de laranjas, depósitos fracionados e simulação de transações. Somente em Curitiba, pelo menos 46 postos praticavam o golpe da “bomba baixa”, onde o cliente recebia uma quantidade menor de combustível do que o exibido no visor da bomba.
A Operação Tank focou em uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no Paraná, que movimentou mais de R$ 23 bilhões desde 2019. Já a Operação Quasar mirou a utilização de fundos de investimento para proteger patrimônio e esconder dinheiro de origem ilícita. O valor total de bens e valores bloqueados pela Justiça ultrapassou R$ 2 bilhões.
Paralelamente, uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Ministério Público Federal (MPF), Receita Federal e as polícias Civil e Militar cumpriu mandados em oito estados, visando o braço da facção nesse setor. O grupo é acusado de sonegar R$ 7,6 bilhões em impostos, adulterar combustíveis e lavar cerca de R$ 30 bilhões usando empresas de tecnologia financeira (fintechs).
O esquema criminoso envolvia a importação ilegal de metanol para adulterar gasolina e etanol, além da aquisição forçada de postos de combustível e usinas de cana-de-açúcar. Mais de 300 postos em todo o Brasil foram identificados como parte da fraude.
As autoridades afirmaram que o principal objetivo é enfraquecer financeiramente o crime organizado e recuperar os fundos desviados da economia.
Os principais alvos das investigações foram:
- Grupo Aster/Copape: Usinas, distribuidoras e postos que serviam de base para as operações da facção.
- BK Bank: Fintech utilizada para movimentar grandes quantias em contas-bolsão para dificultar o rastreamento.
- Reag: Fundo de investimento usado para comprar empresas e usinas, além de proteger os bens dos investigados.
Como o esquema funcionava
O centro do esquema era a importação irregular de metanol, que chegava ao Porto de Paranaguá (PR). O produto não era entregue aos destinatários declarados nas notas fiscais, sendo transportado de forma clandestina com documentos falsos e sem seguir as normas de segurança, o que colocava em risco pessoas e o meio ambiente.
Altamente inflamável e tóxico, o metanol era distribuído para postos e revendas, onde era usado para adulterar combustíveis, gerando lucros bilionários para o grupo criminoso.
Mais de 300 postos participavam das fraudes, prejudicando os consumidores tanto na quantidade, com a “bomba baixa”, quanto na qualidade do combustível, que não seguia as especificações da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Empresários que venderam seus postos para a rede criminosa relataram que não receberam o valor combinado e foram ameaçados de morte ao tentar cobrar a dívida.
“O lucro e o produto das infrações econômicas e penais foram transferidos para uma complexa rede de intermediários que escondiam os reais beneficiários em diferentes camadas societárias e financeiras, principalmente por meio de empresas de fachada, fundos de investimento e instituições de pagamento”, declararam membros do MP-SP.
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