Está chegando a TV 3.0 , um novo jeito de vê TV no Brasil, (vídeo)
Em um esforço para modernizar a televisão aberta no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto para a implementação da TV 3.0, também chamada de DTV+. A nova tecnologia deve começar a ser instalada nas principais cidades do país no primeiro semestre de 2026, a tempo para a Copa do Mundo.
A TV 3.0 representa um salto evolutivo da TV digital, introduzida em 2007. A expectativa é que ela una a experiência da internet com a da televisão, fazendo com que os canais abertos se assemelhem a aplicativos interativos, como os que vemos nas redes sociais.
A nova tecnologia e sua experiência de uso
Com a TV 3.0, a interatividade será um ponto crucial. Será possível comprar produtos diretamente pela tela, como já é feito em aplicativos como TikTok e Kwai. Durante a programação, o público poderá votar em participantes de reality shows ou escolher ângulos de câmera em eventos esportivos.
Além de uma conexão mais profunda com a internet, a TV 3.0 entregará melhor qualidade de imagem e som. A resolução pode ir de 4K a 8K, com som imersivo de padrão cinematográfico e a quantidade de cores exibidas na tela saltará de 16 milhões para 1 bilhão. Embora a conexão com a internet aprimore a experiência, ela não será obrigatória para ter acesso a essas melhorias.
Essa nova tecnologia também traz aprimoramentos em acessibilidade, como legendas customizáveis, audiodescrição e um gerador de Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os canais também poderão ser reorganizados em aplicativos, tornando a navegação parecida com a de serviços de streaming.
Outra novidade é que o decreto que regulamenta a TV 3.0 também prevê a criação da Plataforma Comum de Comunicação Pública e Governo Digital. Essa plataforma integrará conteúdos governamentais e serviços públicos à TV 3.0, permitindo que os cidadãos acessem, por exemplo, o site gov.br diretamente da TV.
A transição para o novo modelo
Apesar de o Brasil ter cerca de 90 milhões de televisores e 60% deles serem Smart TVs, esses aparelhos não são compatíveis com a nova tecnologia. Para ter acesso à TV 3.0, será necessário comprar um novo televisor ou um conversor. A estimativa inicial de custo para o conversor é de R$ 300 a R$ 350. Estudos estão em andamento para ajudar famílias de baixa renda na aquisição desses equipamentos.
O governo pretende que a transição para a TV 3.0 dure até 15 anos. Durante esse período, o modelo atual e o novo coexistirão. O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, garantiu que os serviços de televisão continuarão sendo gratuitos, mas com a possibilidade de conexão à internet. O governo já investiu R$ 7,5 milhões na primeira fase do projeto. Já a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) estima que o custo total de migração chegue a R$ 11 bilhões, e defende a criação de políticas públicas para financiar a transição.
O impacto no mercado publicitário
A expectativa é que a TV 3.0 ajude as emissoras a recuperar parte das verbas publicitárias que migraram para a internet e as redes sociais. Com dados de audiência mais detalhados, os anúncios se tornarão mais direcionados, beneficiando tanto grandes quanto pequenos anunciantes. Isso pode abrir novas oportunidades de negócio, que hoje são mais comuns no ambiente digital.
Com a demanda por conversores, empresas chinesas, como a Hisense, já demonstraram interesse no mercado brasileiro. A Hisense, em particular, é vista como uma das principais candidatas a fornecer os conversores necessários para a adaptação à TV 3.0 a partir de 2026.
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