Forças Armadas, Legislativo e outras entidades públicas têm ligações com o BK Bank, empresa de pagamentos investigada por servir ao PCC.
O Exército, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal firmaram contratos com a BK Instituição de Pagamento S.A. (BK Bank). Essa fintech está sendo investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, sob a suspeita de operar como uma instituição financeira clandestina para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa é acusada de movimentar bilhões de reais em transações sem rastreamento e de atuar na lavagem de dinheiro obtido com o tráfico de drogas e o desvio de metanol.
Exército Brasileiro
No dia 4 de agosto, o Exército assinou um contrato de R$ 18 mil com a BK Bank para adquirir máquinas de cartão para a Biblioteca do Exército. Semanas depois, em 28 de agosto, a fintech se tornou um dos principais alvos em operações voltadas a desmantelar a infiltração do PCC nos setores de combustíveis e financeiro. O Exército informou que abriu um processo administrativo para analisar a possibilidade de violação do contrato. A instituição esclareceu que a contratação se deu por pregão eletrônico, um método de licitação para valores mais baixos, e que a BK Bank apresentou a oferta mais vantajosa e toda a documentação necessária.
Câmara dos Deputados
A Câmara mantém contratos com a BK Bank desde 2019. O acordo mais recente, no valor de R$ 23,2 mil por ano, está previsto para terminar em maio de 2026. A Casa afirmou que o contrato inicial foi encerrado em 2024 por “falta de certidões”, mas um novo acordo foi feito “por dispensa de licitação” depois que a empresa regularizou sua situação fiscal. A Câmara informou que “avaliará o destino do contrato de acordo com os resultados das investigações”.
Senado Federal
O Senado tem um contrato de aproximadamente R$ 34 mil por ano com a fintech para serviços de intermediação de pagamentos nas suas livrarias e eventos. O acordo, assinado em 2020, já foi prorrogado sete vezes, com a última renovação acontecendo em 26 de agosto, apenas dois dias antes das operações da PF. O Senado declarou que as renovações seguiram as normas internas e que “não houve nenhuma ocorrência que justificasse a interrupção dos serviços”.
Suspeitas e Movimentações Financeiras
A Receita Federal estima que a BK Bank movimentou R$ 46 bilhões sem rastreabilidade entre 2020 e 2024, operando como o “banco paralelo” do PCC. A suspeita é de que a fintech utilize “contas-bolsão”, que agregam depósitos de múltiplos clientes em uma única conta, o que dificulta a identificação da origem dos fundos. Outras instituições, como os Correios e o Serpro, já suspenderam ou cancelaram seus contratos com a BK Bank.
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