Em vez de focar apenas em negociar a retirada da elevação de tarifas alfandegárias (o chamado tarifaço), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja solicitar a Donald Trump a revogação das sanções aplicadas contra o ministro Alexandre de Moraes e sua cônjuge, impostas sob a égide da Lei Magnitsky. O líder petista também pretende que o cancelamento dos vistos de outros ministros e aliados de seu governo seja um ponto de discussão prioritário.
Fontes próximas ao presidente indicam que essa abordagem é vista como uma estratégia de negociação que imita o “estilo Trump”. A visão é que Lula buscará um “pacote completo” de benefícios, pois se entende que será difícil conseguir qualquer concessão americana sem antes atender à principal exigência de Trump: o fim da perseguição política direcionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.
O pedido deve ser feito por meio de uma chamada telefônica ou videoconferência ainda nesta semana, deixando um encontro presencial para um momento posterior. Assessores aconselharam o presidente a não realizar uma reunião na Casa Branca inicialmente, a fim de evitar o tipo de constrangimento enfrentado por outros líderes internacionais, como Volodymir Zelensky da Ucrânia e Cyril Ramaphosa da África do Sul.
Tática Pessoal e Oferta Estratégica
Em um tom descontraído, Lula comentou recentemente que levaria a primeira-dama, Janja, para um eventual encontro com Trump. “Sempre digo brincando para a Janjinha que a Unesco já me deu uns dez prêmios de mulher mais bem casada do planeta Terra. E quando eu for conversar com Trump, vou levá-la. Eu quero que ele veja.”
Paralelamente, o governo brasileiro, por meio de seus canais diplomáticos, tem sinalizado que pode disponibilizar aos Estados Unidos a exploração de terras raras localizadas no Piauí. Essa movimentação é coordenada com o suporte do ministro Wellington Dias e de seu aliado político, Rafael Fonteles, o atual governador e presidente do Consórcio Nordeste.
Críticas e o Sinal de Diálogo
Na semana anterior, em um discurso não programado na ONU, Donald Trump reiterou críticas ao governo brasileiro, afirmando que “o Brasil vai fracassar sem os Estados Unidos”. Essa declaração foi uma crítica clara ao alinhamento ideológico de Lula com nações como China, Rússia, Irã e outros países classificados no eixo autocrático global. Contudo, o político americano abriu a possibilidade de diálogo.
Dias depois, surgiu a notícia de uma reunião que ocorreu no Salão Oval no início do mês, envolvendo Trump e o empresário Joesley Batista, proprietário do grupo JBS. A JBS recentemente abriu capital na Bolsa de Nova York e emprega mais de 75 mil americanos em suas operações nos EUA. A pauta da conversa teria sido o impacto negativo da recente elevação de tarifas (tarifaço).
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