O presidente da Argentina, Javier Milei, consolidou sua autoridade após o triunfo de sua coalizão, La Libertad Avanza, nas eleições legislativas de 2025. O resultado fortaleceu a base de apoio do governo para os dois anos restantes de seu mandato.
Milei expressou gratidão aos eleitores que endossaram as “ideias de liberdade” para “tornar a Argentina grande novamente”, numa alusão ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump. O líder argentino considerou o domingo um marco histórico.
“O povo argentino abandonou o caminho da decadência e escolheu o progresso. Cruzamos um ponto de virada hoje. A edificação de uma Argentina próspera começa agora”, declarou.
A chapa governista saiu vitoriosa em 15 províncias, incluindo a de Buenos Aires, um tradicional domínio peronista. Com 96% dos votos contados, o partido do presidente obteve a dianteira no distrito mais populoso do país.
O pleito renovou 127 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e 24 das 72 do Senado. Até este momento, Milei era o primeiro chefe de Estado argentino desde 1916 a não dispor de maioria no Legislativo.
Após a divulgação dos números, Milei fez um pronunciamento na sede de La Libertad Avanza, no Hotel Libertador, em Buenos Aires. “Ultrapassamos o momento crucial”, afirmou, sinalizando que a votação representa um divisor de águas para as reformas estruturais do país.
O presidente agradeceu a seus colaboradores mais próximos. “Minha gratidão também aos dois artífices deste feito: Karina Milei e Santiago Caputo”, mencionou.
Milei enfatizou o significado político do desfecho: “A partir de 10 de dezembro, teremos o Congresso mais propenso a reformas da história.” Com a vitória, o governo terá melhores condições de aprovar as principais propostas econômicas e políticas de sua agenda.
Segundo o presidente, o desempenho eleitoral reforça o mandato que lhe foi conferido em 2023. “Este resultado é a validação do mandato que nos foi dado em 2023”, disse. Ele destacou que o biênio inicial foi dedicado a prevenir o colapso econômico e defendeu a continuidade do programa liberal. “Devemos solidificar o rumo reformista nos próximos dois anos.”
Milei também fez menção e agradeceu o ex-chanceler Gerardo Werthein, por seu papel nas negociações financeiras com os Estados Unidos, além do chefe de Gabinete Guillermo Francos e aliados como Patricia Bullrich e Luis Petri.
O presidente ainda elogiou o sistema de votação. “Defendemos um sistema democrático transparente”, declarou, referindo-se à implementação da Cédula Única de Papel, modelo adotado em 2024 para substituir as diversas cédulas partidárias.
“Hoje foi um dia notável. Superamos o ponto decisivo. O início da construção da Argentina grandiosa”, concluiu Milei.
“Milei, querido, o povo está contigo”, entoavam centenas de apoiadores do presidente em frente ao comitê do LLA em Buenos Aires.
A coalizão La Libertad Avanza alcançou mais de 40% dos votos a nível nacional, superando com folga o peronismo, que concorreu sob a bandeira Fuerza Patria e obteve 24,5%. O resultado marca uma reconfiguração política e estabelece Milei como o líder com a maior base de apoio territorial desde 2015.
O partido governista venceu em Córdoba, Santa Fe, Mendoza e na Cidade de Buenos Aires, mantendo a parceria com o PRO, de Patricia Bullrich e Mauricio Macri, e conquistou vitórias expressivas em Entre Ríos, Salta, Corrientes, Chaco, San Luis, Jujuy, Tierra del Fuego e Santa Cruz.
Em contrapartida, o peronismo conseguiu manter o domínio em Formosa, Tucumán, Santiago del Estero, Catamarca, La Rioja e La Pampa, porém com margens reduzidas.
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