O Mercado de São Brás, situado em Belém, no Pará, foi transformado em um importante polo de culinária e atividades culturais da capital paraense. Sua reabertura ocorreu em janeiro de 2025, como resultado das obras financiadas pela Itaipu Binacional em virtude da realização da COP30.
A 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática (COP30), de 2025, teve início na segunda-feira, 10 de novembro de 2025, e se estenderá até o dia 21 de novembro.
A Itaipu Binacional alocou um montante de R$ 1,3 bilhão para intervenções em Belém. Desse total, a empresa cobriu 60% (R$ 90 milhões) do custo global de R$ 150 milhões da reforma do Mercado de São Brás, que levou dois anos para ser concluída. Os 40% restantes (R$ 60 milhões) foram custeados pela Prefeitura de Belém.
Embora a sede da Itaipu Binacional esteja localizada em Foz do Iguaçu, no Paraná, a uma distância de 2.800 km de Belém, o governo federal optou por utilizar os recursos da usina hidrelétrica binacional para contornar as restrições orçamentárias do país. Indiretamente, os consumidores brasileiros arcam com esses custos por meio da tarifa de energia elétrica.
Políticos paraenses alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm usado a revitalização do mercado como símbolo dos benefícios concedidos pelo governo federal a Belém. Um painel no centro da cidade exibe imagens do deputado Airton Faleiro (PT-PA), de Lula e do próprio mercado reformado.
Histórico: Do Apogeu ao Restauro Pela COP30
Inaugurado em 1911, o projeto do Mercado de São Brás é de autoria do arquiteto italiano Filinto Santoro. A construção ocorreu durante o ciclo de prosperidade da borracha em Belém. Contudo, a transferência de mudas de seringueira pelos britânicos para a Malásia no final do século XIX e o consequente aumento da produção asiática levaram ao declínio econômico da cidade.
O mercado sofreu com a deterioração por décadas, e diversas propostas de restauro foram postergadas. A intervenção só foi viabilizada devido à COP30.
O pátio, que antes servia de estacionamento improvisado, foi transformado em áreas de convivência com mesas de bares e restaurantes, contando agora com uma garagem subterrânea.
Na área externa, foram criados dois espaços cobertos para boxes de pequenos empreendedores, que comercializam alimentos a preços mais acessíveis que os restaurantes. Essa estrutura é similar à encontrada em outros pontos da cidade, como o popular Mercado Ver-o-Peso.
Os comerciantes que ocupavam o interior do prédio antes das obras foram realocados para um novo anexo. O espaço interno principal passou a abrigar restaurantes e lojas, além de dois salões destinados a eventos como shows e exposições.
O mercado tem apresentado grande movimento, especialmente à noite e nos fins de semana, consolidando-se como um centro de lazer, gastronomia e cultura. Esse cenário contrasta com a degradação da região circundante, que fica próxima ao terminal rodoviário da cidade, ponto de partida de ônibus para outros municípios do Pará e outros estados.
Itaipu Justifica Investimento na COP30
O veículo de imprensa Poder360 consultou a assessoria de comunicação da Itaipu Binacional por e-mail, que forneceu as seguintes justificativas para os investimentos:
Pergunta do Poder360: Qual a razão para o investimento da Itaipu Binacional em uma obra a mais de 2.000 km de sua sede, em Foz do Iguaçu (PR)?
“O investimento total da Itaipu para a COP30 alcançará R$ 1,3 bilhão. Os recursos estão sendo aplicados em melhorias estruturais essenciais para a cidade, como a requalificação do Parque do Igarapé São Joaquim, intervenções de pavimentação e saneamento, e a construção e reforma de Unidades de Valorização de Recicláveis (UVRs). Essas ações reforçam o comprometimento da Itaipu com a sustentabilidade, a inclusão social e o objetivo de deixar um legado positivo da COP não só para os moradores locais, mas para todo o país.”
“A participação da Itaipu em investimentos fora de sua região prioritária é explicada por seu papel estratégico para o Brasil. O apoio a projetos em Belém, em preparação para a COP30, está ligado ao compromisso nacional com a agenda ambiental e a diplomacia climática. A Itaipu, reconhecida globalmente em energia limpa e sustentável, realiza investimentos alinhados à política energética e ambiental do governo brasileiro.”
“Um outro exemplo é o investimento da Itaipu na Ilha da Trindade, a 1.160 km da costa do Espírito Santo (ES), o local habitado mais distante do Brasil e um santuário de biodiversidade no Atlântico Sul. Lá, foi implementado um sistema híbrido de geração de energia, que utiliza painéis fotovoltaicos, baterias de lítio e um gerador de reserva para substituir os antigos geradores a diesel.”
Pergunta do Poder360: Qual critério a empresa utilizou para definir a destinação de recursos para as obras em Belém no contexto da COP30?
“A definição dos investimentos da Itaipu em Belém é pautada por critérios técnicos e estratégicos, focados na relevância ambiental, no impacto social e na conformidade institucional. Priorizaram-se ações que contribuem para a redução dos efeitos das mudanças climáticas, o uso eficiente dos recursos naturais e a expansão da infraestrutura verde da cidade, como a recuperação de áreas degradadas e a implementação de sistemas de saneamento e drenagem sustentáveis.”
“As iniciativas visam, também, gerar benefícios diretos para a população, com foco na inclusão produtiva, na valorização do trabalho dos catadores e na melhoria da qualidade de vida nas comunidades. Além disso, todas as ações fazem parte do Programa Itaipu Mais que Energia, que orienta os investimentos socioambientais da empresa e reforça seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a segurança hídrica e energética nacional.”
Pergunta do Poder360: Esse tipo de despesa está prevista em algum programa institucional da Itaipu (como compensação ambiental, responsabilidade socioambiental ou apoio a grandes eventos)?
“Existe uma conexão direta entre a Amazônia e a Itaipu. Parte da precipitação que abastece o reservatório provém da Amazônia, através dos chamados Rios Voadores. Menos chuva significa menor volume de água no lago de Itaipu e, consequentemente, menor geração de energia. Portanto, a Itaipu está intrinsecamente ligada à agenda climática.”
“Proteger a Amazônia significa proteger a Itaipu e a segurança energética do Brasil e do Paraguai. A discussão desse tema está totalmente ligada à nossa missão e ao combate às mudanças climáticas.”
A assessoria da Itaipu informou que os detalhes dos investimentos podem ser consultados no site da empresa dedicado à COP30 ou no Portal da Transparência, administrado pela Controladoria-Geral da União (CGU).
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