MEC anula 3 questões do Enem por antecipação de perguntas
Após a disseminação online de itens de prova que guardavam grande similaridade com os usados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, o Ministério da Educação (MEC) tomou a decisão de anular três questões da avaliação e solicitou à Polícia Federal que iniciasse uma investigação.
O Caso e a Participação do Estudante
A medida foi provocada pela atitude de um universitário de medicina que, durante uma transmissão ao vivo no YouTube, exibiu exercícios muito próximos aos que apareceram nas provas de matemática e ciências da natureza aplicadas no último domingo, dia 16. Segundo informações do governo federal, aproximadamente 3,4 milhões de candidatos participaram do exame.
A investigação subsequente indicou que, no mínimo, três dos itens divulgados pelo estudante haviam sido utilizados anteriormente em pré-testes voltados à criação de perguntas para o Enem. Estes testes foram aplicados como parte de uma avaliação do MEC, o Prêmio Capes Talento Universitário, direcionada a ingressantes do ensino superior e que serve como base para o desenvolvimento de novos itens para a prova nacional.
Processo de Elaboração de Questões do Enem
A construção da prova do Enem é regida pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), uma metodologia estatística que mede o nível de dificuldade dos quesitos. O objetivo da TRI é garantir que as notas possam ser comparadas de forma justa entre diferentes edições do exame e ajudar a distinguir acertos por acaso. Por isso, a pontuação dos participantes não depende apenas da quantidade de respostas corretas, mas também de como eles se saem nas questões de diferentes níveis de complexidade.
O desenvolvimento dos itens de prova envolve a realização de pré-testes com indivíduos que possuem um perfil educacional semelhante ao dos alunos que estão terminando o ensino médio. Embora não tivesse ampla divulgação, o Prêmio Capes era usado, entre outros fins, para testar esses itens com jovens que haviam concluído recentemente o ensino básico.
O Pronunciamento do Universitário
Edcley Teixeira, estudante de medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC), identificou-se como consultor na área de educação. Na live que antecedeu o segundo dia de provas, ele mostrou pelo menos cinco perguntas com alta semelhança com as que estavam no exame. A UFC confirmou que Teixeira está regularmente matriculado no campus de Sobral.
Nas suas redes sociais, Teixeira defendeu que conseguiu prever os exercícios do Enem seguindo critérios lícitos e sem ter tido acesso prévio ao conteúdo sigiloso. Ele argumentou que “O Enem inteiro é repetido,” e que teria descoberto um padrão. “Sabe quantas pessoas elaboram o Enem? 25 pessoas. Elas estão no Inep desde 2009. Sigam na rede social. Você vai conseguir saber no que elas estão pensando”, declarou.
Ele explicou que havia memorizado os itens durante sua participação no prêmio da Capes – uma agência vinculada ao MEC –, para o qual foi convidado. O estudante também produziu material didático baseado nas questões do prêmio para o curso que lecionava. Relatos de alunos e a análise desse material confirmaram que as apostilas continham perguntas semelhantes às que foram cobradas no Enem.
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