Vídeo de Flávio que segundo Moraes contribuiu para preventiva de Bolsonaro
A detenção de Jair Bolsonaro, efetuada por volta das 6 horas da manhã deste sábado (22), foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a Polícia Federal (PF) indicar uma ameaça à segurança e ordem pública.
O ponto crucial que motivou a ação foi a circulação de um vídeo na sexta-feira, no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exortava seus simpatizantes a se reunirem em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpre restrições cautelares sob custódia.
O Chamado de Flávio Bolsonaro
No material gravado, Flávio incitava ativistas a ocuparem o local próximo à residência de seu pai. “Com o seu empenho, a força do povo, nós vamos reagir e libertar o Brasil deste confinamento em que se encontra hoje,” afirmou o senador. Em outro trecho, ele complementou: “Rogaremos a Deus que exerça Sua justiça sobre aqueles que perseguem tantas pessoas inocentes e apoiam a permanência dos verdadeiros criminosos no poder. Não há mal que dure eternamente.”
O apelo teve rápida propagação nas plataformas digitais. Em resposta, e ainda na sexta-feira, a PF solicitou a prisão preventiva para prevenir novos incidentes que pudessem frustrar ou comprometer o acatamento das restrições judiciais impostas pelo STF.
As palavras não foram escolhidas por acaso. Flávio Bolsonaro chama os apoiadores para uma vigília na frente do condomínio do pai, mas faz isso os chamando para "lutar".
E mais: utiliza texto de convocação de guerra do Antigo Testamento, além de descrever adversários e justiça… pic.twitter.com/HLt2881Pha
— Andrade (@AndradeRNegro2) November 22, 2025
Fundamentação da Decisão de Moraes
Moraes justificou sua decisão alertando que a mobilização solicitada por Flávio Bolsonaro “possui grande potencial de comprometer a prisão domiciliar em vigor e a eficácia das medidas cautelares, podendo facilitar uma eventual tentativa de evasão” do ex-chefe do Executivo.
Adicionalmente, o ministro impôs novas exigências em seu despacho:
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Determinou a realização de uma audiência de custódia por videoconferência já no domingo, a ser conduzida na Superintendência da PF no Distrito Federal.
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Assegurou a Bolsonaro assistência médica integral.
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Exigiu que todas as visitas ao ex-presidente sejam previamente autorizadas pelo STF, com a única exceção de advogados e profissionais de saúde.
Moraes também citou o caso de outro indivíduo sentenciado (Alexandre Rodrigues Ramagem), que fugiu para Miami, como precedente para sublinhar a “possibilidade de tentativa de fuga” por parte de Bolsonaro.
Risco e Modus Operandi
Por fim, o ministro reiterou que a aglomeração de apoiadores nas redondezas da moradia do ex-presidente, sobretudo quando convocada pelo próprio filho, não se configura apenas como um risco abstrato. Em sua avaliação, ela representa um “padrão de atuação” típico de quadrilhas – o de utilizar manifestações populares como artifício para garantir benefícios pessoais e burlar o cumprimento da lei.
A situação de alerta já havia sido elevada na quinta-feira, quando Bolsonaro foi visto usando uma tornozeleira eletrônica na garagem de sua casa e cumprimentou apoiadores durante uma visita do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), intensificando a presença de simpatizantes na área e acionando o aviso das autoridades.
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