Preso no regime Militar no Mensalão e na Lava-Jato, José Dirceu festeja com samba a prisão de Bolsonaro
O ex-ministro José Dirceu, que esteve detido em relação tanto aos escândalos do Mensalão quanto da Lava-Jato, manifestou satisfação em suas plataformas digitais pela detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Um novo começo para o Brasil, com a prisão do mentor da tentativa de golpe,” publicou, utilizando como fundo musical uma canção da sambista Beth Carvalho. O trecho da letra escolhido diz:
“Chora, não vou ligar / Não vou ligar / Chegou a hora, vais me pagar / Pode chorar, pode chorar / Mas chora!”
Histórico de Detenções de Dirceu
Dirceu possui um histórico de múltiplos encarceramentos. Sua primeira experiência na prisão ocorreu em 1968, sob a ditadura militar, enquanto ele era líder estudantil. Ele foi libertado no ano subsequente (1969), como parte de uma troca negociada entre os militares e guerrilheiros que haviam sequestrado o embaixador americano Charles Burke Elbrick.
O político do PT retornaria à detenção em 2013, após ser condenado pelo STF como o principal articulador do esquema de compra de votos no Congresso conhecido como Mensalão. Naquela época, ele ficou no presídio da Papuda, no Distrito Federal, o mesmo local que foi considerado para receber Bolsonaro . Atualmente, o ex-presidente está em uma cela da Polícia Federal. Dirceu foi colocado em prisão domiciliar em 2014 e teve sua sentença perdoada em 2016 por Luís Roberto Barroso, então relator das execuções penais do Mensalão no STF, com base em um decreto de indulto natalino assinado por Dilma Rousseff.
No âmbito da Operação Lava-Jato, Dirceu foi sentenciado a 23 anos de reclusão pelo então juiz Sergio Moro (hoje senador pelo União Brasil-PR). Ele passou 854 dias preso no Complexo Médico-Penal em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Suas prisões (foram três) decorreram de sua condenação por envolvimento em tramas de corrupção que afetaram a Petrobras e empreiteiras. Após algumas decisões judiciais favoráveis, sua maior vitória veio em outubro de 2024, quando o ministro Gilmar Mendes anulou todos os processos da Lava-Jato contra ele. O motivo foi o mesmo que beneficiou Lula: a conduta de Moro como magistrado.
Reação de Lindbergh Farias
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, também celebrou a prisão de Bolsonaro, classificando-a como “grande dia” em publicações feitas em suas mídias sociais neste sábado, dia 22.
Farias opinou que a vigília convocada por Flávio Bolsonaro para a noite, que transformou o caso criminal em um evento político, influenciou diretamente a decisão judicial. Ele alegou que a mobilização visava intimidar o STF e a Polícia Federal (PF), aumentando o risco de desestabilização institucional e interferência no processo. O líder petista mencionou que a aglomeração poderia ter o objetivo de impedir uma prisão definitiva, inclusive com porte de armas de fogo, e ainda indicaria uma possível intenção de fuga por meio da violação da tornozeleira eletrônica.
Ele ainda justificou a determinação de Moraes, afirmando que “a decisão se fundamentou na necessidade de garantir a ordem pública, justamente porque, mesmo sob prisão domiciliar, Bolsonaro continuava agindo politicamente para criar tensão no ambiente e pressionar as instituições.” Farias concluiu: “A prisão preventiva cumpre um mandado expedido pelo STF e demonstra que, diante de um risco real à ordem pública e de manipulação política do processo, a lei se aplica a todos, incluindo o ex-presidente. O trânsito em julgado está próximo e abre o caminho para o início do cumprimento da pena. Bolsonaro preso!”, declarou.
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