BTV caiu! Operação derruba serviços de TV box pirata no Brasil
Desde o último final de semana, a interrupção simultânea de diversos serviços clandestinos de televisão por assinatura, popularmente conhecidos como “gatonet” — incluindo o BTV, um dos dispositivos piratas mais utilizados no Brasil —, provocou uma avalanche de queixas nas plataformas digitais. Os assinantes desses sistemas reportam que os aplicativos cessaram o funcionamento, apresentando a mensagem de erro 503 que sinaliza indisponibilidade do servidor. No site ReclameAqui, o número de depoimentos cresceu exponencialmente, com usuários relatando problemas como “O aplicativo do BTV parou e o site também está inativo” e “BTV fora do ar exibindo ‘service unavailable'”.
Essa falha de acesso é uma consequência direta de uma incursão policial realizada na Argentina pela Procuradoria Federal de Crimes Cibernéticos de San Isidro, entre a noite de sábado e a manhã de domingo. A ação repressiva conseguiu desativar 22 plataformas que eram utilizadas para a transmissão ilegal de conteúdo audiovisual. A operação foi feita em coordenação com a Alianza, uma organização que congrega companhias do setor audiovisual para combater a pirataria na América Latina. Este evento dá seguimento a uma operação anterior que já havia derrubado vários serviços de IPTV no Brasil no mês anterior.
De acordo com apuração do G1, entre os serviços afetados estão BTV, Red Play, Blue TV+ e Cine Duo. Somados, BTV e Red Play detêm mais de 75% da base de usuários no Brasil. Estima-se que esta ação tenha impactado mais de 2 milhões de pessoas no total, considerando Argentina e Brasil.
Até o momento, os seguintes serviços foram desativados ou estão com problemas de instabilidade: ALA TV, Blue TV, Boto TV, Break TV, BTV App, BTV Live, Duna TV, Football Zone, Hot, Mega TV, MIX, NOSSA TV, ONPix, PLUSTV, Pulse TV, Red Box, RedPlay Live, Super TV Premium, Venga TV, Waka TV, WEIV e WeivTV – Nova.
Detalhes da Investigação e Etapas Anteriores
Esta é a segunda grande onda de bloqueios com repercussão direta no território nacional. A primeira ocorreu no início de novembro, algumas semanas após uma operação realizada no final de agosto, quando as autoridades argentinas conseguiram localizar o “centro de comando” que gerenciava parte dos esquemas piratas na região. Nessa fase preliminar, serviços como My Family Cinema, Cinefly e Eppi Cinema já haviam sido removidos do ar.
A investigação revelou que a cidade de Buenos Aires servia como base de operações para marketing e vendas de um amplo esquema internacional de pirataria. Enquanto um escritório local era responsável pela área comercial, funções como administração, finanças e tecnologia da informação (TI) eram operadas a partir da China. A ação também contou com o apoio da La Liga, a entidade que organiza o campeonato espanhol de futebol.
Segundo a Alianza, no seu período de maior sucesso, o grupo chegou a ter 8 milhões de assinantes. Mais recentemente, a base de clientes era de 6,2 milhões de pessoas, sendo 4,6 milhões delas brasileiras. O volume de negócios anual estimado variava entre US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 800 milhões) e US$ 200 milhões (o equivalente a R$ 1 bilhão).
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