Avião evita colisão perto da Venezuela com aeronave da Força Aérea dos EUA
Piloto da JetBlue é Forçado a Manobra de Emergência para Evitar Colisão com Aeronave Militar dos EUA com Transponder Desligado
Curaçao/Nova York – Um voo comercial da companhia aérea JetBlue, que partiu de Curaçao, nas proximidades da Venezuela, precisou realizar uma manobra evasiva no espaço aéreo na última sexta-feira (12) para impedir uma colisão com uma aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos. O incidente ocorreu em um momento de intensa atividade militar americana na região caribenha, que inclui missões de vigilância e interceptação de embarcações suspeitas de tráfico de drogas.
O avião da JetBlue, que tinha como destino a cidade de Nova York, estava em fase de subida quando o risco de acidente se materializou. Em uma gravação de comunicação com o controle de tráfego aéreo, divulgada pelo portal especializado LiveATC, o piloto da companhia aérea expressou indignação e confirmou que a aeronave militar voava sem o transponder ativo, equipamento fundamental para comunicação e rastreamento.
“Tivemos uma aeronave passando bem na nossa frente, a menos de oito quilômetros de nós, talvez três ou quatro quilômetros, mas era um avião-tanque de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos, e ele estava na nossa altitude. Tivemos que interromper a subida”, relatou o comandante da JetBlue. Ele complementou que o avião militar cruzou diretamente a rota de voo e qualificou a situação como “um absurdo” devido ao transponder estar desligado.
Segundo o relato do piloto, a aeronave militar americana seguia em direção ao espaço aéreo venezuelano.
Respostas e Investigações
Consultada sobre o ocorrido, a JetBlue confirmou o incidente e assegurou que seus tripulantes são devidamente treinados nos “procedimentos adequados” para lidar com diversas circunstâncias de voo, reafirmando que a segurança é sua prioridade máxima.
“Agradecemos a eles por relatarem prontamente essa situação à nossa equipe de liderança. Reportamos este incidente às autoridades federais e participaremos de qualquer investigação”, declarou a empresa.
O Pentágono, acionado para comentar o fato, remeteu o assunto ao Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares na América Latina. Por sua vez, o Comando Sul afirmou estar ciente dos relatos, indicando que o assunto está sendo analisado e tratado pelos “canais apropriados”, e reiterou que a segurança é uma prioridade.
“As tripulações aéreas militares são profissionais altamente treinados que operam de acordo com os procedimentos estabelecidos e os requisitos aplicáveis do espaço aéreo”, garantiram em nota.
Contexto de Tensão Regional
O episódio acontece em meio a um aumento significativo da presença militar dos EUA no Caribe nos últimos meses. Milhares de soldados, diversas aeronaves e até o maior porta-aviões do mundo foram enviados à região para operações que incluem ataques a embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, sob a alegação de combater o narcotráfico. A legalidade dessa ofensiva tem sido questionada.
O governo do presidente americano, Donald Trump, acusa o regime de Nicolás Maduro na Venezuela de envolvimento com o tráfico de drogas, alegação que Caracas nega veementemente. O presidente americano chegou a cogitar a possibilidade de ataques diretos ao país sul-americano.
Em novembro, Trump aconselhou companhias aéreas a considerarem o espaço aéreo venezuelano como fechado, gerando críticas de nações vizinhas, como a Colômbia. Em um contexto mais amplo de preocupações com a segurança, diversas empresas aéreas já suspenderam suas operações na Venezuela.
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