PF investiga ofensiva de influenciadores contra o Banco Central e a favor do Banco Master
Investigação apura existência de uma rede paga para disseminar críticas à autarquia e simular mobilização espontânea após liquidação de instituição financeira.
A Polícia Federal (PF) deu início a uma investigação para apurar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido contratados para realizar uma campanha de desinformação contra o Banco Central (BC) e em defesa do Banco Master. A confirmação foi feita pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, ao portal g1.
O foco da ofensiva seria questionar a legitimidade da liquidação da instituição financeira pertencente a Daniel Vorcaro. De acordo com relatos dos influenciadores de direita Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, as propostas recebidas visavam sustentar a narrativa de que o Banco Central teria agido de maneira “precipitada” ao intervir na instituição.
A estratégia do “Projeto DV”
Informações reveladas pela jornalista Malu Gaspar indicam que o esquema era estruturado sob o nome de “Projeto DV”. Com base em documentos, comprovantes de depósito e mensagens, a apuração aponta que o objetivo era criar uma falsa percepção de revolta popular orgânica contra o BC.
Para garantir o anonimato da operação, os contratos possuíam cláusulas de sigilo absoluto. A tática envolvia a publicação de vídeos que destacavam decisões judiciais favoráveis ao banco, tentando colocar em xeque a autoridade e a isenção da autarquia federal.
Tabela de valores e alcance
O pagamento aos influenciadores era escalonado de acordo com o tamanho da audiência de cada perfil. Confira os detalhes do “tarifário” identificado:
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Perfis com mais de 1 milhão de seguidores: Propostas de R$ 2 milhões por um contrato de três meses, exigindo oito publicações mensais.
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Perfis com menos de 500 mil seguidores: Ofertas de R$ 250 mil pelo mesmo período e frequência de postagens.
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Adiantamentos: Há registros de casos em que o pagamento foi efetuado antes mesmo da publicação do conteúdo.
Monitoramento e Intermediários
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também detectou anomalias. Em nota, a entidade afirmou ter identificado, no final de dezembro, um “volume atípico de postagens” mencionando a federação e seus representantes em relação ao caso. A Febraban monitora se houve um ataque coordenado, ressaltando que o fluxo dessas menções apresentou queda nos últimos dias.
As investigações apontam que a execução do “Projeto DV” estaria a cargo da agência MiThi, empresa controlada por Thiago Miranda — ex-CEO e sócio minoritário (10%) do Grupo Leo Dias. O grupo de comunicação tem como sócio majoritário o empresário Flávio Carneiro, que detém 60% do capital
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