Polícia Civil conclui inquérito sobre morte do cão Orelha e pede internação de adolescente
FLORIANÓPOLIS – A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou as investigações sobre os episódios de violência contra animais ocorridos na Praia Brava, no início de janeiro. O inquérito aponta um adolescente como o autor das agressões que resultaram na morte do cão comunitário Orelha. Diante das evidências, a autoridade policial solicitou à Justiça a internação provisória do jovem.
Contradições e tentativa de fuga
De acordo com o delegado Renan Balbino, o principal suspeito estava fora do país durante parte das apurações. A polícia precisou adotar estratégias de monitoramento para evitar a destruição de provas ou a fuga do investigado. Durante os depoimentos, o adolescente apresentou versões conflitantes.
“Em diversos momentos, ele se contradisse e omitiu fatos importantes para a investigação”, afirmou Balbino.
As câmeras de segurança foram cruciais para desmentir a versão do jovem. Imagens registraram o momento em que ele saiu de um condomínio às 5h25 e retornou trinta minutos depois, embora ele tenha afirmado em depoimento que não havia deixado o local.
Provas periciais e apreensões
O laudo da Polícia Científica confirmou que Orelha morreu em decorrência de um trauma craniano severo, provocado por um impacto contundente — como um chute ou golpe com objeto rígido. O crime ocorreu na madrugada de 4 de janeiro. O animal, que era um símbolo da Praia Brava há uma década, chegou a ser socorrido por moradores, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte.
A investigação contou com um aparato tecnológico robusto:
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24 testemunhas ouvidas;
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14 câmeras de monitoramento analisadas;
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Mais de mil horas de filmagens verificadas;
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Uso de software estrangeiro de geolocalização.
Além das imagens, peças de roupa foram apreendidas. No aeroporto, familiares tentaram ocultar um boné e mentiram sobre a origem de um moletom, alegando que havia sido comprado nos Estados Unidos. No entanto, o cruzamento de dados provou que eram as mesmas vestimentas utilizadas pelo agressor no dia do crime.
Outros envolvidos e o caso Caramelo
A investigação também indiciou três adultos pelo crime de coação, após tentarem interferir no andamento do processo.
Quanto ao cão Caramelo, que sofreu uma tentativa de afogamento no mesmo período, a polícia identificou quatro adolescentes envolvidos. Todos responderão por ato infracional análogo a maus-tratos. Devido ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), as identidades dos menores seguem sob sigilo.
Posicionamento da Defesa Em nota, a defesa do adolescente contestou o relatório policial, classificando as informações como “meramente circunstanciais” e alegando que os elementos apresentados não constituem provas definitivas para uma condenação.
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