China utiliza frota de drones para ‘fabricar’ 31 milhões de toneladas de chuva
Pequim intensifica uso de drones e inteligência artificial para combater seca no cinturão agrícola; especialistas internacionais, porém, questionam eficácia e impactos geopolíticos.
A Operação “Chuva de Primavera”
Em uma demonstração de força tecnológica e logística, a Administração Meteorológica da China lançou, em março de 2025, o projeto “Chuva de Primavera”. A operação estratégica mobilizou uma frota de 30 aeronaves, entre aviões tripulados e drones autônomos, com o objetivo de semear nuvens sobre as regiões norte e noroeste do país.
O procedimento consiste na dispersão de iodeto de prata na atmosfera para estimular a condensação. Segundo dados oficiais, a iniciativa resultou em 31 milhões de toneladas de precipitação adicional, beneficiando 10 províncias essenciais para a produção de grãos. Além da frota aérea, baterias terrestres dispararam foguetes carregados com partículas minúsculas para potencializar a umidade das massas de ar.
Soberania e Números Grandiosos
Desde 2021, o governo chinês reivindica a produção de 168 bilhões de toneladas de chuva e neve por meio de métodos artificiais. Para Li Jiming, diretor do Centro de Modificação do Clima da China, o programa é um pilar da “soberania meteorológica” e do desenvolvimento científico nacional.
Atualmente, o país aplica essas técnicas em mais de 50% de seu território, investindo pesadamente em Inteligência Artificial para refinar a precisão do lançamento de materiais.
O Ceticismo da Comunidade Científica
Apesar do otimismo de Pequim, a eficácia do método é alvo de debate acadêmico global. Especialistas das universidades de Illinois e Wyoming (EUA) apontam a falta de validação independente dos dados chineses. O principal desafio científico reside no “contrafactual”: é extremamente difícil provar se a chuva teria caído de qualquer maneira sem a intervenção humana.
Os requisitos para a semeadura:
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Presença de água líquida super-resfriada nas nuvens.
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Condições de temperatura e pressão específicas.
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Umidade relativa do ar elevada.
Embora um estudo realizado em Idaho (2017) tenha confirmado que o método funciona, os resultados indicaram que o aumento real no volume hídrico é, muitas vezes, marginal.
Tensões Geopolíticas e “Roubo de Chuva”
Para além da ciência, o programa despertou alertas diplomáticos. Pesquisadores de países como Canadá e Austrália expressam preocupação com o controle unilateral do clima, especialmente no Planalto Tibetano.
“A manipulação atmosférica em larga escala pode alterar padrões de pluviosidade de forma imprevisível”, alertam especialistas.
Existe o temor de que a China, ao “capturar” a umidade para seu território, cause secas severas ou inundações em nações vizinhas, como a Índia, transformando o clima em uma ferramenta de pressão geopolítica.
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