Escassez de combustível e sanções dos EUA mergulham Cuba em colapso econômico
HAVANA – A Ilha de Cuba atravessa uma de suas crises mais severas em décadas. O endurecimento das sanções impostas pelo governo de Donald Trump, que interrompeu o fornecimento de petróleo vindo da Venezuela e pressionou parceiros comerciais como o México, deixou o país em um estado de paralisia quase total. Sem aliados dispostos a subsidiar o combustível necessário, a economia centralizada da ilha enfrenta um cenário de incerteza sem precedentes.
O Fim da “Era de Ouro” do Turismo
Para profissionais como Pruna, proprietário de um Chevrolet 1957 que já transportou estrelas como Rihanna e Will Smith, o contraste com os anos de reaproximação diplomática é brutal. Seu veículo, que chegou a decorar a reabertura da Embaixada dos EUA em Havana, agora é o símbolo de um setor estagnado.
“Todos os setores se beneficiaram daquela abertura. Foi a melhor época para o turismo”, lamenta Pruna, destacando que a falta de combustível e de visitantes estrangeiros inviabilizou seu sustento.
Serviços Essenciais e Indústria em Queda
O desabastecimento de energia e insumos gerou um efeito dominó que atinge todas as camadas da sociedade cubana:
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Educação e Trabalho: Escolas suspenderam aulas e funcionários foram dispensados para reduzir o consumo de eletricidade.
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Saúde e Saneamento: Hospitais operam com capacidade reduzida e o acúmulo de lixo urbano tornou-se comum devido à falta de caminhões operantes.
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Grandes Operações: A mineradora Sherrit International suspendeu a extração de níquel e cobalto. Até o tradicional Festival de Charutos Habanos, fonte vital de divisas, foi cancelado.
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Isolamento Internacional: Voos vindos da Rússia e do Canadá foram cortados por falta de querosene de aviação, enquanto países como o Reino Unido recomendam que seus cidadãos evitem viagens à ilha.
Pressão Diplomática e Fim dos Subsídios
A estratégia de Washington é clara: forçar uma transição política através da asfixia econômica. O presidente Donald Trump afirmou recentemente que “não há petróleo, não há dinheiro, não há nada”, reiterando a pressão sobre o regime.
O Secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou a postura intransigente dos EUA, apontando que o modelo econômico cubano, historicamente dependente de ajudas externas da União Soviética e da Venezuela, finalmente ficou exposto por não possuir mais financiadores. Segundo Rubio, a única negociação possível com a liderança comunista seria sobre a renúncia ao poder.
Enquanto o impasse político persiste, os dez milhões de habitantes de Cuba convivem com a escuridão dos apagões e o silêncio de uma economia que, sem combustível, luta para não parar de vez.
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