Nikolas Ferreira aciona Ministério Público contra Acadêmicos de Niterói por sátira a evangélicos
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) confirmou, nesta quarta-feira (18), que levará ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) uma representação criminal contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói. O motivo é a apresentação da agremiação na Sapucaí no último domingo (15), que utilizou fantasias de “latas de conserva” para satirizar grupos religiosos e conservadores.
O desfile, que teve como enredo uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerou forte reação da ala bolsonarista e de entidades jurídicas.
O Alvo da Polêmica: “Neoconservadores em Conserva”
A controvérsia central reside na Ala 22 — número que coincide com a legenda do Partido Liberal. Intitulada “Neoconservadores em conserva”, a ala apresentou componentes vestidos como latas, representando o que a escola descreveu como defensores da “família tradicional”.
De acordo com o roteiro da agremiação, o figurino incluía adereços de cabeça que simbolizavam diferentes setores da direita brasileira, como:
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Lideranças evangélicas;
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Representantes do agronegócio;
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Defensores do regime militar;
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Segmentos da elite econômica.
Para o parlamentar mineiro, a abordagem da escola de samba cruzou a linha da liberdade de expressão. “A postura ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso”, afirmou Ferreira em nota oficial.
Embasamento Jurídico e Intolerância
Nikolas Ferreira baseia sua representação na Lei 7.716/89, que tipifica crimes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião. O deputado também citou um posicionamento da OAB-RJ, que classificou o episódio como um ato de intolerância.
“A Constituição garante liberdade religiosa. […] Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime”, declarou o parlamentar, que busca a responsabilização do presidente da escola como autor intelectual do desfile.
Contexto do Desfile
A Acadêmicos de Niterói utilizou a sátira para criticar pautas defendidas por esses grupos no Congresso Nacional, como a flexibilização do porte de armas, a exaltação de valores militares e a agenda de privatizações. Até o momento, a diretoria da escola de samba não se manifestou oficialmente sobre a representação protocolada pelo deputado.
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