Operação Ágora: Fraude milionária em rede de supermercados termina em prisão na Bahia
ALAGOINHAS – Uma ofensiva contra crimes tributários sacudiu o setor varejista de alimentos na manhã desta quinta-feira (5). A Operação Ágora, deflagrada por uma força-tarefa estadual, desarticulou um esquema de sonegação fiscal capitaneado pela rede de supermercados Compre Bem. O prejuízo estimado aos cofres públicos supera a marca de R$ 10 milhões em ICMS não recolhido.
A ação resultou no cumprimento de um mandado de prisão e dez de busca e apreensão, distribuídos entre as cidades de Salvador e Alagoinhas.
Tentativa de fuga e captura
Em Alagoinhas, o clima foi de tensão. Um dos alvos da operação tentou evadir-se do local durante a chegada das equipes, mas foi interceptado e detido pela polícia. Segundo apurações, o empresário preso é Paulo José Cintra Santos Filho, apontado como um dos líderes do grupo investigado.
Como funcionava o esquema
As investigações, conduzidas pela Inspetoria Fazendária (Infip), Ministério Público e Polícia Civil, revelaram uma engenharia complexa para burlar o fisco. O grupo operava por meio de:
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Empresas “Zumbis”: Criavam e encerravam sucessivamente diversas pessoas jurídicas para o mesmo fim comercial, abandonando as firmas assim que as dívidas tributárias se acumulavam.
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Laranjas: Utilizavam interpostas pessoas sem recursos financeiros para figurar como donos oficiais, ocultando os verdadeiros sócios.
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Omissão de Receita: Deixavam de registrar lançamentos na escrituração fiscal e não repassavam o ICMS já declarado.
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Blindagem de Bens: Foi identificada a criação de uma holding patrimonial após o início de execuções fiscais, uma estratégia desenhada especificamente para proteger o patrimônio dos investigados contra bloqueios judiciais.
Impacto social e mobilização
A Força-Tarefa enfatizou que a sonegação não é apenas um crime contábil, mas um golpe direto na sociedade. “Os valores desviados são recursos que deveriam financiar políticas públicas e serviços essenciais”, destacou o órgão em nota.
O aparato policial e administrativo mobilizado para a operação foi robusto, contando com:
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5 Promotores de Justiça;
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14 Delegados;
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60 Policiais do Necot/Draco;
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Servidores do Fisco Estadual e da Cipfaz.
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