PMs presos e grupo de extermínio revelado: o desfecho da chacina de cinco moradores de rua que chocou Salvador
O violento ataque contra pessoas em situação de rua no bairro da Boca do Rio, em fevereiro de 2012, permanece como um dos marcos mais sombrios da segurança pública na Bahia. O crime, ocorrido em meio a uma greve da Polícia Militar (PM), resultou na morte de cinco pessoas e deixou dois feridos, revelando a atuação de um grupo de extermínio composto por agentes do próprio Estado.
O Crime sob a Sombra da Greve
Na madrugada de 3 de fevereiro, homens armados interceptaram um grupo que dormia ou se reunia na Avenida Jorge Amado. Sem chance de defesa, as vítimas foram alvejadas. O episódio coincidiu com a paralisação parcial da PM baiana, período em que a capital e a Região Metropolitana enfrentaram uma escalada atípica de homicídios.
Desde as primeiras diligências, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) trabalhou com a hipótese de execução sumária. Relatos colhidos no local indicaram que os atiradores chegaram de forma coordenada, disparando contra o grupo.

Prisões e Perfil dos Suspeitos
A investigação apontou rapidamente para membros da própria corporação. Dois soldados lotados na 39ª CIPM (Boca do Rio), unidade responsável pelo policiamento da área, foram os primeiros alvos:
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Donato Ribeiro Lima (47 anos): Detido em sua residência no bairro de São Caetano, onde foram confiscados celulares e munições.
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Willen Carvalho Bahia (34 anos): Preso em sua unidade de trabalho, nos Aflitos.
Embora tenham chegado a responder em liberdade temporariamente, novas ordens de prisão foram expedidas. Willen permaneceu foragido por meses, entregando-se apenas em janeiro de 2013.
Conexão com Outros Homicídios
O desdobramento do inquérito revelou que a chacina da Boca do Rio era apenas a “ponta do iceberg”. Outros dois policiais foram implicados: Samuel Oliveira Menezes (conhecido como “Marrom”) e Jair Alexandre Silva dos Santos. Marrom já era investigado por envolvimento em pelo menos nove mortes na capital.
A Polícia Civil conectou o quarteto a outros crimes brutais, como um triplo homicídio na Engomadeira, ocorrido na mesma data da chacina. Naquela ocasião, os criminosos teriam se identificado como policiais e obrigado as vítimas a se ajoelharem antes da execução.
Atividades Clandestinas e Conclusão
Segundo as autoridades, o grupo não atuava apenas em execuções pontuais, mas também prestava serviços de segurança clandestina (“milícia”) para comerciantes e traficantes locais.
Com a captura de todos os envolvidos entre 2012 e o início de 2013, os suspeitos foram custodiados no Batalhão de Choque, em Lauro de Freitas. A divulgação das imagens dos acusados encorajou novas denúncias, permitindo que o DHPP vinculasse os agentes a uma série de outros assassinatos em Salvador antes do envio do inquérito à Justiça.
Com informações do (correio24horas)
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