Relatório da CPMI do INSS pede indiciamento de Carlos Lupi e José Carlos Oliveira
O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, apresentou nesta sexta-feira (27) seu parecer final, sugerindo a responsabilização criminal de figuras de peso das gestões de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. O documento, que soma mais de 4,3 mil páginas, foca em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas.
O parecer de Gaspar é incisivo ao apontar a participação de ex-gestores no esquema. Entre os nomes de maior destaque estão:
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Carlos Lupi (PDT): Ex-ministro da Previdência (2023–2025). Segundo o relator, Lupi teria agido com “omissão deliberada” e “prevaricação”, permitindo a blindagem de criminosos dentro do instituto.
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José Carlos Oliveira (Ahmed Mohamad): Sucessor de Onyx Lorenzoni em 2022 e ex-presidente do órgão. É apontado como peça estratégica para a expansão do sistema de descontos indevidos.
As Acusações
O relator detalhou os crimes pelos quais os ex-ministros devem responder:
| Alvo | Crimes Sugeridos |
| Carlos Lupi | Prevaricação, condescendência criminosa, crime de responsabilidade, furto e fraude eletrônica (omissão imprópria). |
| José Carlos Oliveira | Corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, inserção de dados falsos e prevaricação. |
O Papel de Onyx Lorenzoni
Embora não tenha solicitado o indiciamento direto de Onyx Lorenzoni (ministro entre 2021 e 2022), o deputado Alfredo Gaspar recomendou que o Ministério Público aprofunde as investigações sobre ele.
A justificativa reside na relação de Onyx com seu sucessor, Oliveira, e no recebimento de doações de campanha vindas de investigados no esquema durante sua disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. Para o relator, a indicação de Oliveira por Onyx garantiu o “mais alto nível de proteção política” à rede criminosa.
Números e Prazos
A investigação, instalada em agosto de 2025, traçou um panorama vasto da corrupção no setor:
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216 pedidos de indiciamento no total.
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9 núcleos investigativos (envolvendo políticos, servidores e empresários).
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4.340 páginas de relatório.
A CPMI encerra seus trabalhos oficialmente neste sábado (28). Como o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de prorrogação, o colegiado corre contra o tempo para votar e aprovar o texto de Gaspar antes da dissolução da comissão.
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