Avó tem R$ 37 milhões desviados, neto é principal suspeito
Uma operação da Polícia Civil apura um suposto esquema financeiro que teria drenado R$ 37 milhões do patrimônio de Angélica Gonçalves Pedrosa, uma idosa que teve seus bens geridos pelo próprio neto por mais de uma década. O principal investigado é o zootecnista Fabiano Pedrosa Leão, que assumiu os negócios agrícolas da família em 2009, após o falecimento do avô.
As investigações apontam que a confiança depositada por tias e pela avó facilitou a manutenção das irregularidades por anos. O caso ganhou contornos mais graves com a descoberta de que, apenas dois dias após o falecimento de Angélica, em maio de 2024, Fabiano teria realizado saques que somam R$ 1,4 milhão.
A Operação e as Prisões
Na última segunda-feira (13), agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Fabiano e de sua mãe, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, também investigada por possível participação no esquema.
Embora o foco fosse o crime financeiro, o neto acabou detido em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, após os policiais encontrarem dois armamentos irregulares no local. Ele foi liberado mediante o pagamento de fiança. Até o momento, a defesa dos citados não foi localizada para comentar as acusações.
Brechas na Fiscalização
De acordo com documentos analisados pela TV Anhanguera, a vítima possuía limitações de locomoção e era considerada “analfabeta digital”. A fragilidade era tamanha que bancários chegavam a ir até sua residência para realizar procedimentos de prova de vida.
Aproveitando-se dessa condição e da gestão direta dos agronegócios, o neto teria retido lucros que deveriam ser partilhados entre os herdeiros. O alerta surgiu quando uma das quatro filhas da idosa notou a disparidade entre o padrão de vida da mãe e o faturamento das propriedades.
“Dona Angélica vivia com uma pensão de cerca de R$ 7 mil, e quase nada do rendimento do patrimônio chegava a ela. Enquanto isso, a família observava um enriquecimento vultoso e rápido do neto”, afirmou o advogado Alexandre Lourenço, que representa a denunciante.
Rede de Apoio
A polícia acredita que o desvio não foi executado de forma isolada. As apurações indicam que Fabiano teria contado com uma rede de colaboração para viabilizar as transações e a lavagem dos valores, envolvendo:
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Funcionários de instituições bancárias;
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Servidores de cartórios;
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Produtores rurais da região.
O processo segue em segredo de justiça enquanto a polícia analisa o fluxo bancário para rastrear o destino final dos R$ 37 milhões desaparecidos.
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