VITÓRIA DA CONQUISTA — Uma análise detalhada dos indicadores de criminalidade do país aponta o município do Sudoeste baiano como um ponto fora da curva na segurança regional. A edição comemorativa de 10 anos do Atlas da Violência, publicada nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que Vitória da Conquista possui a menor taxa de letalidade estimada entre os municípios da Bahia com mais de 100 mil habitantes.
O desempenho ganha ainda mais relevância diante do panorama do Nordeste, região que concentra 17 das 20 grandes cidades mais violentas do Brasil. O território baiano, isoladamente, abriga metade dessa lista nacional, com 10 municípios no topo do ranking. Enquanto a média de homicídios estimados na Bahia ficou em 42,6 por 100 mil habitantes, o índice conquistense mostrou-se 58% menor. A cidade figura também na lista das 15 localidades de grande porte menos violentas de toda a região nordestina.
Os números da segurança local
Os dados consolidados pelo relatório utilizam como base o ano de 2024. A metodologia do Atlas da Violência contabiliza tanto os registros oficiais quanto os “homicídios ocultos” — mortes violentas com causa inicialmente indeterminada que acabam reclassificadas após investigação de dados.
O balanço estatístico do município fixou os seguintes indicadores:

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População: 394.024 moradores
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Homicídios oficiais: 103 ocorrências
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Homicídios ocultos: 3 casos
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Total estimado de vítimas: 106
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Taxa calculada: 26,9 mortes por 100 mil habitantes
Mesmo que a taxa local de 26,9 supere levemente a média estimada para o Brasil no mesmo período (de 23,4), os dados demonstram um cenário consideravelmente mais seguro do que a realidade dos demais grandes centros urbanos do estado e do Nordeste.
A liderança em segurança na Bahia também foi chancelada na última semana pelo Índice de Progresso Social (IPS). O levantamento, divulgado no dia 20, deu a Vitória da Conquista a nota 46,80 no quesito segurança pessoal — o melhor resultado do estado entre municípios com mais de 100 mil habitantes. O IPS avalia conjuntamente dados de homicídios, mortes no trânsito e assassinatos de mulheres e jovens.
Estruturação institucional e a Guarda Municipal
De acordo com o secretário municipal de Segurança Pública, Cristóvão Lemos, a queda acentuada nos índices de letalidade entre 2024 e 2025 decorre da consolidação de políticas públicas municipais a partir de 2021.
“A redução da violência letal vem diminuindo de forma significativa a partir de 2021, que é, exatamente, na gestão da Prefeitura de Vitória da Conquista, quando a Guarda Municipal também começa a trabalhar de forma estruturada. Nós estamos falando de uma gestão que assumiu a responsabilidade de compor esse mosaico de segurança com o desenvolvimento de projetos como o Plano Municipal de Segurança Pública”, argumenta Lemos.
O gestor, que comandou a Guarda Municipal antes de assumir a secretaria, explica que o município fundamentou sua estratégia no Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), regido pela Lei Federal nº 13.675/2018. Lemos defende o conceito de “Segurança Pública Básica” como o principal pilar local.
“O que a gente observa é que os entes federativos que estão dentro da estrutura do SUSP vêm reduzindo a criminalidade. Vitória da Conquista está dentro dessa estrutura. Temos a Guarda Municipal como órgão operacional, com 200 agentes ocupando praças e logradouros, trabalhando em quatro agrupamentos distintos”, pontua.
Redes de proteção e ocupação do espaço urbano
A estratégia do município combina o policiamento comunitário com ações preventivas e de infraestrutura. Intervenções coordenadas pela Prefeitura — como a revitalização urbana, reforço na iluminação pública e recuperação de áreas de lazer — visam inibir a prática de crimes nos bairros. No âmbito educacional, a reforma de mais de 100 escolas municipais tem atuado como ferramenta para oferecer perspectivas aos jovens, afastando-os do tráfico e do crime organizado.
A proteção social é reforçada por grupamentos especializados da Guarda Municipal, com foco em públicos vulneráveis:
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Guardiã Maria da Penha: voltada ao combate à violência doméstica.
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Patrulha Araceli: focada na proteção de crianças e adolescentes.
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Grupos Específicos: atuação dedicada da Ronda Escolar e do Grupo de Proteção Preventiva Comunitária.
Modernização e combate aos crimes cibernéticos
O cenário da criminalidade local também tem passado por transformações na dinâmica dos delitos. O secretário de Segurança Pública aponta uma migração nos interesses das organizações criminosas: houve redução no roubo de aparelhos celulares físicos e um aumento expressivo nas tentativas de golpes e crimes cibernéticos. O alvo principal dos infratores passou a ser o acesso a contas digitais e cartões de crédito, que oferecem maior retorno financeiro que o próprio aparelho.
Para acompanhar as novas demandas e assegurar o controle das taxas de letalidade, a pasta planeja expandir sua capacidade institucional. Entre as metas projetadas estão a inclusão do município no programa federal “Cidades Mais Seguras”, além da estruturação de um fundo e de um conselho municipal de segurança para captação de recursos. O planejamento foca no trabalho conjunto e integrado com as forças policiais do Estado e da União.
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