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Mais de 100 anos: Conheça a camisa mais antiga da Seleção Brasileira

Vemvê Brasil
junho 9, 2026
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Um pedaço vivo da história do futebol nacional resiste ao tempo. O uniforme mais antigo da Seleção Brasileira de que se tem notícia já ultrapassou a marca de um século de existência, sendo anterior à própria criação da Copa do Mundo. A peça histórica pertenceu ao meio-campista Amílcar Barbuy, atleta que marcou época e tornou-se ídolo nos arquirrivais Corinthians e Palestra Itália (atual Palmeiras).

Amílcar integrou a geração que garantiu as duas primeiras taças da história da Seleção, com os títulos do Campeonato Sul-Americano (competição hoje conhecida como Copa América) em 1919 e 1922.

Mistério entre 1919 e 1922

Guardado como uma relíquia familiar por décadas, o uniforme cruzou gerações sob os cuidados de Amílcar Filho. Ele mantinha a certeza de que a vestimenta havia sido utilizada pelo pai na histórica campanha de 1919, que rendeu o primeiro troféu ao Brasil.

Contudo, análises posteriores feitas por especialistas indicaram que a fiação e os acabamentos do tecido guardam maior semelhança com o padrão adotado em 1922. Embora a precisão do torneio ainda divida opiniões, o valor histórico permanece intocável: trata-se de um manto centenário de uma das conquistas pioneiras do país.

Você sabia? Naquela época, o Brasil não jogava com o tradicional amarelo. A vestimenta oficial era branca, trazendo detalhes azuis na gola e nas mangas. A famosa “amarelinha” só passou a ser utilizada após a traumática derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, no episódio que ficou conhecido como Maracanazo.

A raridade do item se destaca por detalhes extintos nos gramados modernos:

  • Cordão frontal: Uma amarração no peito que servia para melhorar a ventilação dos atletas.

  • Escudo artesanal: O brasão era costurado manualmente no estilo “pano sobre pano”.

  • Botão na gola: Um acabamento que aproximava a peça de vestimentas sociais.

De herança familiar a item de colecionador

Após passar décadas sob a tutela dos herdeiros de Amílcar, a relíquia mudou de mãos e agora integra o acervo particular da família do engenheiro eletrônico Valter Bento Silveira. A compra foi realizada por seu filho, Bruno Silveira, que possui uma coleção com mais de 250 camisas de futebol.

O interesse de Bruno despertou após a leitura de uma biografia sobre Amílcar. Foram dois anos de conversas frequentes com o neto do ex-jogador até que a família decidisse efetuar a venda.

"A gente mantinha contato com a família, eles mandavam fotos. Até que chegou um momento que perguntaram se ainda tínhamos interesse. Foi aí que consegui comprar. Sinceramente, é uma camisa de museu. Quem sabe algum dia esteja exposta para as pessoas verem, mas por enquanto ela vai ficar na minha coleção."
— Bruno Silveira, proprietário da peça.

Além da camisa, os Silveira adquiriram o calção que compunha o visual do craque sul-americano. O traje completo serve como um registro físico do esporte em seus primórdios no continente.

“O Santo Sudário do futebol brasileiro”

Para o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, que examinou o fardamento de perto, a preservação do material por mais de 100 anos é um feito extraordinário, justificado apenas pelo zelo dos antigos donos.

O especialista aponta particularidades curiosas no visual de época. O calção, por exemplo, não utilizava cordões frontais para ajuste, mas sim ilhoses na região lombar. Outro ponto que chama a atenção é o tamanho atual da camisa: devido ao encolhimento natural do tecido ao longo das décadas, ela hoje aparenta vestir uma criança.

De acordo com Unzelte, o conjunto original continha também os meiões pretos que os jogadores usavam no início do século passado, mas a composição de lã acabou não resistindo à ação do tempo e se deteriorou.

Até que se prove o contrário, o manto de Amílcar Barbuy permanece isolado como o registro têxtil de jogo mais antigo e conservado da história da Seleção Brasileira.

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