Em Brasília, André Janones defende que “vale tudo” na internet para proteger a democracia
O deputado federal André Janones (Rede-MG) participou, na última terça-feira (9), de um evento do Partido dos Trabalhadores (PT) em Brasília destinado ao lançamento do programa Porta-Vozes do Lula. Diante da militância governista, o parlamentar subiu o tom e defendeu o uso de táticas agressivas nas redes sociais, afirmando que, no cenário político atual, “vale tudo para salvar a democracia”.
O evento, que visa recrutar e coordenar apoiadores para impulsionar a narrativa do governo e combater a oposição no ambiente digital, contou com a presença do coordenador-geral da campanha e presidente do PT, Edinho Silva, além do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Mudança de pauta e a tática da “nova versão”
Durante seu discurso, Janones assumiu que suas propostas para o enfrentamento digital adotam um pragmatismo que muitos consideram “baixo nível”. O deputado minimizou as críticas e justificou a postura com base no que considera uma ameaça ao país:
“Eu estou me lixando de falar que é de baixo nível. Eu sei o que está em jogo; o que está em jogo é a democracia do nosso país. Antes, eu dizia que valia quase tudo. Eu mudei o meu discurso nesses quatro anos. Hoje, vale tudo para salvar a democracia.”
De acordo com o congressista, o núcleo da estratégia não é rebater notícias falsas vindas do campo adversário, mas sim ignorá-las e pautar o debate com narrativas próprias. Ele argumentou que a técnica não se baseia na criação de mentiras, mas no redirecionamento do foco do eleitorado através de uma nova abordagem dos acontecimentos.
Para ilustrar o método, Janones relembrou um episódio da eleição presidencial de 2022, quando associou a imagem de Jair Bolsonaro à do ex-presidente Fernando Collor. Na ocasião, o deputado transmitiu uma live exibindo fotos de ambos e sugerindo que Collor poderia virar ministro em um eventual segundo mandato de Bolsonaro.
“Poderia mesmo, não tinha nada que impedia. Ele estava com os direitos políticos dele ativos, então não era uma mentira”, justificou o parlamentar, completando que “razão não ganha eleição” e que a mera divulgação das realizações do governo Lula não será suficiente para garantir o sucesso nas urnas.
Como funcionará o programa Porta-Vozes do Lula
A nova plataforma digital do PT operará por meio de um portal de cadastramento de militantes. Após a inscrição, os voluntários serão divididos em grupos virtuais para a execução de “missões” diárias. As principais diretrizes do programa incluem:
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Disseminação de conteúdos: Distribuição de materiais governistas e peças críticas à oposição.
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Formatos dinâmicos: Produção de vídeos curtos, cartões informativos, memes e pacotes de mobilização digital.
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Capacitação: Treinamento de militantes para o debate nas redes e formulação de respostas rápidas contra investidas da direita.
Edinho Silva reforçou que a iniciativa busca descentralizar a comunicação do governo e estender o alcance da gestão federal. Segundo ele, a militância deve atuar como os braços do presidente onde ele não puder estar fisicamente, promovendo as obras e os programas sociais nas comunidades locais e na internet.
Autocrítica sobre o cenário digital
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos — único membro do primeiro escalão do governo a discursar no evento —, adotou um tom de autocrítica ao analisar o atual equilíbrio de forças na internet. Boulos reconheceu que o campo progressista ainda enfrenta desvantagens no ecossistema digital.
O ministro apontou que, embora fatores externos como o funcionamento dos algoritmos, a atuação das grandes empresas de tecnologia e a disparidade de recursos financeiros favoreçam a oposição, a esquerda peca na capacidade de articulação. Para Boulos, é fundamental admitir essa desvantagem para que o governo consiga aprimorar o que definiu como “organização digital”.
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