Ancelotti tem um plano para Neymar na Seleção até a final da copa
O técnico Carlo Ancelotti revelou detalhes sobre o planejamento envolvendo Neymar na atual campanha do Brasil. O camisa 10 esteve muito perto de atuar na recente vitória por 2 a 1 sobre o Japão, em Houston. A princípio, sua entrada estava programada para o segundo tempo ou para uma eventual prorrogação. No entanto, a reação do time canarinho em campo fez com que o craque permanecesse no banco de reservas. Daqui para frente, a estratégia é clara: utilizar o atacante apenas em momentos cruciais, quando sua presença for estritamente necessária.
“Nossa expectativa era contar com o Neymar na prorrogação. Cheguei a conversar com ele sobre entrar por volta dos 15 ou 20 minutos da etapa complementar. Como empatamos, optei por não alterar a formação, já que a equipe havia assumido o controle das ações”, justificou o comandante italiano após o triunfo sobre os asiáticos.
Nos bastidores, a comissão técnica avalia que, no atual estágio físico, Neymar tem condições de suportar cerca de 30 minutos em alta intensidade. Esse tempo de jogo pode ser ampliado gradativamente, dependendo da evolução do atleta ao longo do torneio.
O grande dilema tático
A principal questão para a entrada do astro, no entanto, vai além da parte física e esbarra em um complexo ajuste tático. Atualmente, a comissão enxerga Neymar atuando exclusivamente na faixa central do setor ofensivo, necessitando de total isenção de recomposição defensiva.
Esse modelo destoa do padrão adotado por Ancelotti. No esquema atual, os homens de frente que atuam centralizados — como Matheus Cunha, Igor Thiago e Endrick — possuem funções vitais na marcação e na estrutura coletiva, um esforço desenhado justamente para potencializar as investidas de Vinicius Júnior.
Dessa forma, acomodar o camisa 10 exige uma alteração drástica no sistema de jogo, algo que não teve tempo hábil para ser testado na fase de preparação. Acionar Neymar significa, na prática, abrir mão do equilíbrio na marcação apostando em um lance de genialidade na frente, um sacrifício válido principalmente quando a equipe estiver precisando correr atrás do resultado.
Foi exatamente esse raciocínio que o manteve no banco contra o Japão. Com a substituição engatilhada para os 20 minutos da etapa final, o gol de empate do Brasil mudou o panorama. Ancelotti notou que a equipe manteve a postura agressiva, criando chances e sofrendo pouco atrás, o que tornou a alteração desnecessária no tempo regulamentar. A vitória selada no último minuto por Gabriel Martinelli evitou o tempo extra, cenário onde Neymar fatalmente seria utilizado.
Foco na Noruega
Para o próximo desafio, a comissão técnica adotará a mesma cautela. Tratado como um diferencial para a Seleção Brasileira, o retorno de Neymar aos gramados seguirá atrelado ao desenho tático da partida, dadas as limitações geradas por sua lesão e pelo período de recuperação.
O Brasil volta a campo neste domingo para medir forças com a Noruega. A bola rola às 17h (pelo horário de Brasília), no Metlife Stadium, em Nova Jersey.
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