Tragédia na Venezuela: Mortes confirmadas sobem para 2.595 após terremotos
CARACAS — O governo da Venezuela divulgou, nesta quinta-feira (2), um novo balanço oficial sobre os impactos dos dois fortes terremotos que atingiram o país há pouco mais de uma semana. O número de óbitos confirmados saltou para 2.595 — um acréscimo de 300 vítimas fatais em apenas 24 horas, já que o relatório anterior contabilizava 2.295 mortes.
Até o momento, os dados de feridos e desalojados não sofreram novas atualizações, permanecendo em mais de 11 mil e 12.841 indivíduos, respectivamente.
Os dados foram apresentados em coletiva de imprensa por Delcy Rodríguez, atual líder interina do país. Nos últimos dias, os pronunciamentos oficiais vinham sendo conduzidos por seu irmão e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, figura central do chavismo.
Resposta oficial e embate político
Durante a declaração, a governante interina defendeu a eficácia das ações estatais e garantiu a continuidade dos trabalhos de busca. Delcy rebateu os questionamentos sobre a lentidão no atendimento à população e acusou “laboratórios de mídia” de espalharem desinformação para minar a atuação das equipes de socorro, sem apresentar evidências.
De acordo com a líder, o plano de contingência nacional foi deflagrado logo após os tremores, mobilizando 4.000 profissionais de resgate para as regiões mais castigadas. Ela informou ainda que a violência dos sismos causou o desabamento total de 189 edifícios.
Em uma guinada diplomática, a chefe do regime chavista manifestou gratidão pelo suporte estrangeiro. “Em nome da Venezuela, agradeço aos socorristas internacionais”, declarou, fazendo menção direta ao presidente norte-americano Donald Trump e ao mandatário de El Salvador, Nayib Bukele. Ambos mantinham posições de forte oposição a Nicolás Maduro, de quem Delcy foi vice-presidente até janeiro deste ano, quando o ditador foi destituído em uma ação liderada pelos Estados Unidos.
A governante ressaltou que o pedido de auxílio externo foi feito imediatamente após o desastre e indicou que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) disponibilizaram verbas para a reconstrução. Segundo ela, os aportes financeiros serão geridos estritamente por meio de empreiteiras auditadas para erguer novas habitações.
Cenário alarmante e resgate nos escombros
Os indicadores de letalidade tendem a crescer de forma acentuada. Em estimativa divulgada na semana passada, as Nações Unidas apontaram que o total de desaparecidos pode chegar a 50 mil. Diante da projeção, o coordenador humanitário da ONU no país confirmou, na última segunda-feira (29), a aquisição emergencial de 10 mil sacos para sepultamento de corpos.
Apesar do tempo decorrido, equipes locais e internacionais ainda encontram sobreviventes. Nesta quinta-feira, o vigilante Hernán Gil, de 43 anos, foi resgatado com vida dos escombros da guarita de um centro comercial em La Guaira. O estado de La Guaira, vizinho à capital Caracas, é a região mais devastada e concentra o foco principal das missões humanitárias.
Desde a quarta-feira da semana passada, quando ocorreram os dois abalos principais — de magnitudes 7,2 e 7,5, com intervalo de poucos segundos —, a Venezuela já registrou mais de 600 réplicas. Embora os tremores secundários mantenham a população em alerta, nenhum deles gerou novos danos severos.
Crise humanitária e prejuízos bilionários
A condução da crise divide opiniões e gera protestos internos. A organização não governamental International Rescue Committee alertou na terça-feira que o volume da assistência prestada pelas autoridades locais está muito aquém das demandas reais das comunidades afetadas.
Para tentar mitigar o sofrimento da população, o Programa Mundial de Alimentos da ONU lançou um apelo global para arrecadar US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 260 milhões). A verba visa garantir o sustento de cerca de 500 mil vítimas pelos próximos três meses.
O desastre natural sobrecarrega um cenário social que já era de extrema fragilidade. Dados da ONU anteriores à tragédia indicavam que perto de 8 milhões de venezuelanos dependiam de suporte humanitário para subsistência.
Além do deficit habitacional e de suprimentos básicos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o colapso iminente do sistema de saúde local e para o risco iminente de surtos epidêmicos de doenças infecciosas.
Atualmente, forças de 27 nações colaboram em solo venezuelano enviando brigadas técnicas e cães farejadores. Conforme balanço preliminar das Nações Unidas, as perdas econômicas totais são estimadas em US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 34,8 bilhões), montante que representa aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela.
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