Reconciliação entre Flávio e Michelle impulsiona recuperação do candidato do PL em nova pesquisa
Aproximação com a ex-primeira-dama é aprovada por 59% do eleitorado e ajuda senador a oscilar para cima na corrida presidencial, enquanto governo monitora desgaste de medidas econômicas
A recente aproximação pública entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já reflete diretamente no cenário eleitoral. De acordo com os dados mais recentes do instituto Quaest, a trégua política entre os dois impulsionou uma recuperação numérica na candidatura do parlamentar, que oscilou positivamente de 28% para 30% das intenções de voto.
No mesmo levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou um ponto para baixo, passando de 40% para 39%. Embora o atual chefe do Executivo permaneça na liderança do pleito, os números acenderam um sinal de alerta no Palácio do Planalto, indicando que o adversário do PL pode estar deixando para trás as turbulências recentes de sua campanha.
Aprovação expressiva na direita
A pesquisa mediu de forma específica o impacto do encerramento das divergências familiares e políticas entre enteado e madrasta. Para 59% dos entrevistados em todo o país, a reconciliação foi vista como um gesto positivo para o pré-candidato liberal.
A aceitação do movimento atinge níveis ainda mais expressivos no eleitorado conservador: a paz entre ambos foi classificada como positiva por 88% dos simpatizantes da direita não bolsonarista e por 90% dos eleitores alinhados à direita bolsonarista.
Inquéritos da PF e bastidores no Planalto
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro projetam que a trajetória de alta pode continuar nos próximos levantamentos. A avaliação interna é de que o levantamento atual ainda não capturou integralmente os potenciais desdobramentos eleitorais da abertura de três inquéritos pela Polícia Federal contra Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente, e contra um ex-chefe de gabinete da Presidência da República.
Por outro lado, auxiliares no Palácio do Planalto consideram que a pesquisa demonstrou estabilidade na imagem do presidente, mantendo a aprovação de seu governo numericamente superior à reprovação. Contudo, analistas governamentais reconhecem que o efeito de programas que impulsionaram a popularidade do PT no início do mandato — como o Desenrola Brasil e a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — começou a perder tração.
Frente a esse cenário, articuladores da campanha de reeleição defendem que Lula passe a fazer sinalizações diretas aos eleitores de centro e independentes, estratégia considerada indispensável para recuperar margem de crescimento nas pesquisas.
Cenário da Terceira Via
A movimentação da candidatura do PL também alterou a dinâmica dos demais concorrentes no pleito. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e Renan Santos (Missão) ganharam competitividade em eventuais simulações de segundo turno. No entanto, a reação de Flávio Bolsonaro impõe barreiras ao crescimento de ambos no primeiro turno, mantendo-os sem fôlego para garantir uma vaga na fase decisiva. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), registrou perda de ritmo e enfrenta o risco de desidratação eleitoral nas próximas semanas.
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