
Oswaldo Eustáquio e defesa de Carla Zambelli acionam Ministério Público da Espanha contra Lulinha
O comunicador Oswaldo Eustáquio e o advogado Fábio Pagnozzi, representante da deputada licenciada Carla Zambelli, protocolaram nesta quarta-feira (26) uma representação no Ministério Público espanhol contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A ação solicita a abertura de apurações sobre os negócios e o funcionamento da empresa Synapta SL, mantida pelo empresário em Madri.
A petição requer a fiscalização das operações financeiras, da composição econômica, dos endereços corporativos e da finalidade comercial efetiva da instituição. O propósito do pedido é esclarecer se o empreendimento é utilizado como estrutura de fachada para ocultar, movimentar ou gerenciar recursos oriundos de práticas apuradas pela Justiça brasileira, onde o filho do presidente é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
As investigações no STF englobam apurações sobre suposto tráfico de influência na liberação de cannabis medicinal, suspeitas de articulação para a obtenção de contratos na Dataprev e o suposto uso do nome do chefe do Executivo federal para favorecer companhias parceiras.
Atividades declaradas e visto de residência
Embora conste no registro formal que a Synapta SL atua no ramo de consultoria técnica, informática e integração de sistemas tecnológicos, a representação pondera que a firma pode ter sido constituída prioritariamente para viabilizar o visto de residência de Lulinha em solo europeu. O empresário fixou moradia na capital espanhola em meados de 2025, enquanto a empresa teve o início de suas operações declarado em janeiro de 2026 e a formalização concluída em fevereiro do mesmo ano.
O documento submetido às autoridades espanholas — elaborado pelo advogado Daniel Lucas Romero com o auxílio do escritório de Pagnozzi — solicita diligências, mas não faz imputações diretas de crimes ao empresário neste momento.
Alterações na estrutura societária
A empresa do ramo de tecnologia foi aberta com um capital social inicial de 3 mil euros (aproximadamente R$ 17,9 mil). Lulinha figura como único proprietário e gestor da sociedade limitada unipessoal.
Documentos indicam movimentações recentes no negócio: ao fim de março, a firma alterou seu domicílio fiscal e destituiu os poderes conferidos a cinco advogados e a um escritório local que atuavam como procuradores. Em abril, a sede da companhia foi transferida para um edifício no Paseo de la Castellana, centro do polo financeiro madrileño.

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