
Rui Costa Abandona Aliança com Wagner, Falha de Comunicação de Jerônimo e Impasse na Estratégia do PT
SALVADOR — O cenário político na Bahia registra momentos de acentuada divisão interna no grupo situacionista, desdobramentos de apurações policiais e instabilidade na condução da campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) para as próximas eleições.
Ruptura nos Bastidores e Impactos das Apurações Policiais
Por trás das aparências de unidade ostentadas nas campanhas, a convivência entre expressivas lideranças do petismo baiano enfrenta sérios atritos. Relatos de articuladores indicam que o ministro Rui Costa se distanciou dos interesses do senador Jaques Wagner, adotando uma postura individual na busca por sua própria vaga no Senado. O afastamento se aprofundou após os desdobramentos do caso do Banco Master e da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Em conversas reservadas, aliados afirmam que Rui descartou assumir o desgaste da candidatura do colega de chapa, enquanto dados de pesquisas internas do partido já apontam retração nos índices de intenção de voto de Wagner devido aos recentes episódios.
O clima adverso ganhou novos contornos com declarações do governador Jerônimo Rodrigues. Em evento com lideranças religiosas, o chefe do Executivo estadual comentou sua trajetória e admitiu ter pouca experiência prévia em gestão pública, mencionando que seu único encargo administrativo anterior fora o de síndico de condomínio por sistema de rodízio. Em outra ocasião, Jerônimo reconheceu abertamente que as apurações da Polícia Federal alcançaram seu núcleo político mais próximo, ao citar o envolvimento de um secretário de Estado e de um senador governista nos desdobramentos ligados à comercialização do Credcesta.
Somando-se aos episódios, veio a público um registro em vídeo no qual o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, faz declarações de proximidade com o advogado Daniel Monteiro durante homenagem na Assembleia Legislativa da Bahia. Pouco tempo após a solenidade em que Sodré representou o governo, o advogado acabou detido pela Polícia Federal no âmbito das investigações do caso Banco Master.
Efeito Contrário das Ofensivas e Perda de Tração no Interior
As investidas recentes direcionadas à oposição no estado não surtiram o efeito desejado pelos estrategistas da situação. A divulgação de acusações e documentos apócrifos foi interpretada por lideranças regionais como um sinal de fragilidade governista diante do esvaziamento de bases eleitorais. A movimentação acabou impulsionando a musculatura política do candidato oposicionista ACM Neto.
A poucas semanas do pleito, a coordenação de campanha enfrenta também a desconfiança em relação à postura de gestores municipais do interior. Prefeitos que mantêm apoio formal a Jerônimo Rodrigues passaram a liberar suas lideranças locais para articular alianças de forma autônoma, favorecendo a migração de votos para chapas adversárias.
Disputas Regionais e Sinais de Resistência nos Municípios
O ambiente interno da base aliada acumula outros focos de tensão:
Disputa por espaço em Lauro de Freitas: A ex-prefeita Moema Gramacho (MDB) perde terreno na política municipal após o avanço da deputada Ivoneide Caetano (PT), que passou a cooptar antigas lideranças do seu grupo.
Queixas sobre favorecimento: A ex-secretária da Educação e candidata a deputada estadual Rowenna Brito (PT) passou a ser alvo de insatisfação entre aliados após o governador aparecer promovendo publicamente sua candidatura, gerando críticas sobre privilégios na chapa.
Resistência do eleitorado local: Avaliações levadas por prefeitos do interior indicam desgaste da aprovação do governo federal em cidades médias e rejeição expressiva ao palanque estadual, mesmo em localidades que registraram votação expressiva para o presidente Lula em disputas anteriores.

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