
Direita divide estratégias em Conquista: Wagner Alves foca em articulação regional e Lara Fernandes prioriza base municipal
De olho na Assembleia Legislativa da Bahia, postulantes do campo conservador adotam táticas distintas na corrida proporcional de 2026.
A disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) ganhou contornos mais acirrados no cenário político de Vitória da Conquista. Com o objetivo de ocupar o espaço historicamente dominado por legendas de esquerda na região, pré-candidatos do campo da direita e do centro-direita vêm desenhando estratégias divergentes para viabilizar suas candidaturas no pleito de 2026.
De um lado, o produtor rural Wagner Alves (União Brasil), que se lança pela primeira vez na disputa estadual, busca construir uma projeção para além dos limites municipais. O postulante reuniu representantes e lideranças de 20 municípios do Sudoeste baiano para consolidar uma rede de apoio regional.
Sua caminhada conta com o endosso de nomes expressivos do grupo oposicionista ao governo do estado: filiou-se ao União Brasil com o aval de ACM Neto e tem o apoio direto da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, de quem é esposo. Além da base local, Alves vem costurando alianças com ex-gestores e parlamentares da região, como o ex-prefeito de Itapetinga, Rodrigo Hagge, e quadros políticos de Brumado.
Disputa interna e cenário local
Paralelamente à expansão regional de Wagner, a ala conservadora local também conta com a candidatura da vereadora Lara Fernandes (Republicanos). A parlamentar foca suas energias no eleitorado de Vitória da Conquista, buscando fidelizar o segmento ligado ao bolsonarismo e aos valores conservadores. Para tanto, conta com o respaldo político de seu marido, o vice-prefeito Aloísio Alan.
Enquanto a vereadora aposta na concentração de forças no município para garantir sua representatividade, a estratégia de Wagner visa diluir a dependência do eleitorado conquistense por meio da soma de votos em cidades vizinhas — dinâmica frequentemente decisiva nas eleições proporcionais do estado.
Retrospecto político
O movimento da direita ocorre em um território onde as vagas para a AL-BA são tradicionalmente ocupadas por nomes do PT e do PCdoB. Deputados como Zé Raimundo e Fabrício Falcão mantêm redutos consolidados há décadas na cidade e buscam a renovação de seus mandatos.
Embora Vitória da Conquista já tenha demonstrado força em votações para cargos majoritários em favor de nomes da oposição estadual, o eleitorado conservador local ainda não converteu esse peso das urnas em uma representação própria e permanente na Assembleia Legislativa. O pleito deste ano testará se o alcance regional ou o afunilamento local será o caminho de sucesso para alterar essa dinâmica.

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