Imprensa espanhola define futebol brasileiro como ‘triturador de técnicos’ após saída de Fernando Diniz
Em análise publicada pelo diário AS, rotatividade nos comandos técnicos do país contrasta com hegemonia dos clubes nas competições sul-americanas.
SÃO PAULO — A recente rescisão contratual de Fernando Diniz com o Corinthians repercutiu na imprensa europeia. O periódico desportivo espanhol AS classificou o cenário do futebol nacional como um verdadeiro “triturador de treinadores”, chamando atenção para o abismo entre o domínio esportivo exercido pelas equipes brasileiras na América do Sul e a falta de paciência e continuidade dada aos projetos nas comissões técnicas.
Com a dispensa de Diniz, o Campeonato Brasileiro atingiu a marca de 19 trocas de comando em 29 rodadas disputadas. O próprio comandante responde por duas dessas ocorrências nesta temporada: antes de assumir a equipe alvinegra em abril para substituir Dorival Júnior, ele já havia sido desligado pelo Vasco em fevereiro. No total, a rotatividade envolveu 18 técnicos diferentes, com Corinthians, Vasco, São Paulo, Botafogo, Chapecoense e Remo promovendo mais de uma substituição em seus bancos de reservas ao longo do certame.
Crise no Parque São Jorge e retrospecto
A saída de Diniz foi sacramentada após o revés por 2 a 1 diante do Internacional, no Beira-Rio, que representou o sétimo tropeço consecutivo do Corinthians no torneio nacional. O tropeço estagnou a agremiação na 16ª colocação com 32 pontos, apenas um ponto à frente do próprio clube gaúcho, primeiro integrante do Z-4.
O treinador encerra seu ciclo no Parque São Jorge com um aproveitamento de 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas ao longo de 33 compromissos à beira do gramado.
Instabilidade atinge campeões recentes e líderes
Conforme destacou o periódico madrilenho, a instabilidade dos cargos no Brasil atinge até mesmo treinadores respaldados por taças expressivas. Em março, Filipe Luís foi demitido pelo Flamengo pouco após conquistar o Brasileirão e a Libertadores do ano anterior. Tite deixou o Cruzeiro logo depois de levar o Campeonato Mineiro, enquanto Dorival Júnior acabou dispensado pelo próprio Corinthians apesar de ostentar os títulos da Copa do Brasil de 2025 e da Supercopa de 2026.
Nem campanhas sólidas na tabela asseguraram estabilidade no cargo. No São Paulo, Hernán Crespo foi desligado mesmo mantendo invencibilidade no início da Série A, acumulando três vitórias e um empate. Seu sucessor, Roger Machado, perdeu o emprego em maio após queda na Copa do Brasil, período em que o Tricolor integrava o G-4 do Brasileirão e liderava sua chave na Copa Sul-Americana.
O AS enfatiza a disparidade entre o cenário interno e o panorama internacional: com Flamengo, Palmeiras e Fluminense classificados para as semifinais da Taça Libertadores — garantindo a presença de ao menos um time do país na decisão —, a supremacia técnica dentro de campo convive com a fragilidade crônica e a falta de longevidade nos projetos esportivos do futebol brasileiro.

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