
Dívida pública permanece em 82,9% do PIB, e setor público fecha setembro com déficit de R$ 5,5 bilhões
Montante bruto do endividamento governamental segue no patamar mais elevado desde 2021; despesas elevadas com juros aprofundam saldo negativo nominal.
O setor público consolidado — que reúne a administração federal, estados, municípios e companhias estatais — registrou um déficit primário de R$ 5,497 bilhões em setembro. No mesmo período, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), parâmetro internacional de solvência que engloba a União, governos subnacionais e o INSS, manteve-se em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando a marca de R$ 11,1 trilhões.
Apesar de representar uma retração quando confrontado com o resultado negativo de R$ 17,5 bilhões apurado em setembro de 2025 e com os R$ 10 bilhões de agosto, o índice de endividamento bruto permanece nos patamares mais altos verificados desde 2021. Desde o final de 2022, momento em que correspondia a 71,7% da economia, o indicador avançou mais de 11 pontos percentuais.
Raio-x das esferas governamentais
A composição das contas públicas em setembro refletiu trajetórias divergentes entre os entes federativos:
Governo Central (Tesouro, Previdência e BC): obteve superávit primário de R$ 3,5 bilhões;
Governos regionais (estados e municípios): registraram déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões;
Empresas estatais: fecharam com saldo negativo de R$ 3,4 bilhões.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, as contas governamentais registram déficit primário de R$ 94,3 bilhões (0,93% do PIB), agravando o cenário visto em igual intervalo de 2025, quando o déficit totalizou R$ 79,2 bilhões (0,84% do PIB).
A divergência entre o resultado do Governo Central medido pelo Banco Central (R$ 3,5 bilhões) e o divulgado pelo Tesouro Nacional (R$ 4,8 bilhões) explica-se pelo critério metodológico: o Tesouro calcula as receitas e despesas orçamentárias executadas, ao passo que a autoridade monetária afere a variação efetiva do endividamento.
Pressão dos juros nominais
O custo de carregamento da dívida seguiu pesando de forma expressiva sobre o orçamento nacional. O pagamento de juros nominais consumiu R$ 107,5 bilhões somente em setembro — um salto de R$ 22,8 bilhões em relação aos R$ 84,7 bilhões desembolsados no mesmo mês do ano anterior.
Segundo o Banco Central, o incremento foi impulsionado pelo desempenho das operações de swap cambial (venda de moeda americana no mercado futuro), pelo crescimento do estoque global da dívida e pelos reflexos da inflação medida pelo IPCA.
Na janela móvel de 12 meses, os gastos com encargos financeiros somaram R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB). Quando os juros são contabilizados, o déficit nominal do setor público consolidado alcançou expressivos R$ 113 bilhões em setembro e R$ 1,275 trilhão em 12 meses, o equivalente a 9,51% de toda a produção do país.
As informações e dados fiscais consolidados foram reportados pelo Pleno News e pela cobertura da Agência Brasil.
Para acompanhar uma análise aprofundada em vídeo sobre a evolução do endividamento brasileiro e o impacto da trajetória fiscal no país, confira a reportagem da CNN Brasil sobre a Dívida Bruta.
Esse conteúdo multimídia aborda diretamente os fatores econômicos que sustentam o endividamento governamental em torno de 82,9% do PIB e as projeções fiscais para o encerramento do exercício.

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