Brasil vira piada: Cidades têm mais bolsistas do Pé-de-Meia que estudantes
Em três cidades do país, o número de beneficiários do programa Pé-de-Meia supera a quantidade de alunos matriculados no Ensino Médio. Os casos ocorrem em Riacho de Santana (BA), Porto de Moz (PA) e Natalândia (MG). Além disso, em outras 15 localidades, mais de 90% dos estudantes da rede pública foram contemplados pelo benefício.
Em Riacho de Santana, enquanto o MEC registrou 1.231 pagamentos em fevereiro, a Secretaria de Educação da Bahia contabiliza apenas 1.677 alunos na cidade. Já o Ministério da Educação afirma que há 1.860 matrículas na única escola estadual que oferece o Ensino Médio no município. Do total repassado (R$ 1,75 milhão), 456 bolsistas são menores de 18 anos, enquanto 775 estão na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos). Segundo investigações, a maior parte das irregularidades ocorre nessa modalidade.
Situação semelhante acontece em Porto de Moz, onde o MEC destinou R$ 2,75 milhões para 1.687 estudantes, embora as escolas locais tenham apenas 1.382 matrículas. Já em Natalândia, o programa atendeu 326 pessoas, nove a mais do que o número oficial de alunos (317).
Em municípios como Quixabá (PB) e Alcântara (MA), mais de 90% dos estudantes receberam o auxílio. O MEC justifica que, em regiões com alto índice de pobreza, é comum que a maioria dos alunos se enquadre nos critérios de baixa renda. No entanto, em alguns casos, o número de beneficiários chega a ser o dobro das matrículas existentes, como em Elísio Medrado (BA), onde 742 pessoas receberam o benefício, mas há apenas 355 alunos registrados.
Além disso, levantamentos identificaram que algumas famílias beneficiadas possuem renda superior ao permitido. Em certos casos, responsáveis por alunos são servidores públicos com salários acima de R$ 5 mil, o que inviabilizaria a participação no programa, destinado a famílias com renda per capita de até R$ 759.
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