MG: Quem é o suposto ‘falso padre’ preso acusado de manter mulher em cárcere privado
Um jovem de 19 anos que se apresenta como padre exorcista foi preso sob suspeita de manter uma mulher de 39 anos em cárcere privado em sua residência, no bairro Jardim Sion, em Varginha (MG). Segundo a vítima, ele a manipulava psicologicamente, ameaçando tirar a própria vida caso ela tentasse ir embora.
De acordo com a Polícia Militar, no dia (19/03), os agentes foram até a casa de Ismael Silva Fonseca de Castro e chamaram várias vezes até serem recebidos de maneira exaltada por ele e seu pai.
Ao questionarem sobre a vítima, os policiais foram informados de que ela estava no local, mas não falaria com a polícia. Após insistência, o pai do suspeito permitiu que a mulher fosse ouvida. Ela relatou ter sofrido violência psicológica e agressões físicas durante o período em que ficou na casa.
A vítima afirmou que seu celular foi quebrado pelo suspeito e que qualquer contato com outras pessoas era feito sob sua supervisão, usando o aparelho dele. Sempre que tentava sair, o jovem a ameaçava, dizendo que se mataria, mencionando que pularia da janela ou compraria uma arma. Com medo, ela se sentia incapaz de deixar o local.
Segundo a PM, o pai do suspeito tentou contestar os relatos da vítima de forma intimidatória e desobedeceu a ordem para abrir o portão. Diante da situação, os policiais deram voz de prisão a Ismael, que os desafiou a detê-lo. Foi necessário reforço policial para conter o pai do suspeito, que demonstrava agressividade contra os agentes.
Ismael foi preso e autuado em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, dano, injúria e sequestro/cárcere privado. A investigação segue sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. Ele permanece detido preventivamente no presídio de Varginha, conforme informou a Secretaria de Estado de Segurança e Justiça Pública (Sejusp).
O pai do suspeito também foi levado à delegacia e assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por desobediência, por impedir a abertura do portão e tentar proteger o filho da prisão.
A vítima recebeu atendimento médico na UPA após o ocorrido.
Ismael se apresenta nas redes sociais como padre exorcista Ismael Fonseca, compartilhando fotos em que aparece vestindo uma clérgima (colarinho clerical) em locais religiosos ou ao lado de imagens sacras.
Em algumas publicações, ele solicita doações via Pix, alegando que os valores seriam destinados à paróquia e a famílias em situação de vulnerabilidade.
A advogada de Ismael afirma que ele é um padre ortodoxo e atua de maneira independente em Varginha. No entanto, a Igreja Católica Carismática do Brasil, com a qual ele dizia ter vínculo, nega qualquer ligação com ele.
“Ele não tem nenhuma relação comigo nem com minha igreja. Ele costuma entrar em contato com pessoas que me procuram e dizer que pertence à minha congregação. Na verdade, ele não tem igreja, nem formação, apenas vestiu uma camisa clerical e se autointitulou padre. Sou da Igreja Católica Brasileira e há anos realizo um trabalho de recuperação de jovens e auxílio a pessoas na região do Triângulo Mineiro e do Médio Piracicaba. Já recebi diversas reclamações de fiéis dizendo que ele afirma trabalhar comigo”, declarou o padre Alder de Castro.
Em 2023, Ismael também lançou uma vaquinha online para arrecadar R$ 2 mil, supostamente para custear exames e medicamentos para seu pai, que estaria com embolia pulmonar. No entanto, a campanha não recebeu nenhuma doação.
Família contesta as acusações
Os familiares de Ismael discordam da prisão e afirmam que as acusações feitas pela vítima não são verdadeiras.
Em nota enviada ao g1, a defesa declarou que Ismael conheceu a mulher pelas redes sociais meses antes do encontro presencial. Ela teria viajado de outra cidade até Varginha e foi recebida na casa dele.
A família afirma que a vítima tinha livre circulação pela residência, frequentava shopping centers, passeava pela cidade com seu celular e recebia presentes de Ismael, caracterizando um relacionamento normal.
Ainda segundo os parentes, a prisão aconteceu de forma inesperada. “Os policiais chamaram por Ismael, que ficou assustado, pois não havia feito nada de errado. Foi então que ele foi detido, e a mulher revelou sua verdadeira intenção. A família ficou perplexa e constrangida com a situação ocorrida em sua porta”, diz o comunicado.
Os familiares destacam que Ismael nunca havia sido preso ou envolvido em situações semelhantes antes desse episódio e garantem que possuem provas de sua inocência.
Sobre sua ligação com a religião, a família esclarece que Ismael se identifica como Padre Independente Ortodoxo. “O artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal de 1988, assegura a liberdade de consciência e crença. O Brasil é um país laico. Diferentemente da Igreja Católica Romana, em cidades e países como Rússia, Ucrânia, Alemanha e Espanha, padres podem se casar. Ismael tem muitos fiéis”, afirmou a nota.

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