Cícero Marcelino, administrador do banco digital Terra Bank, foi identificado pela Polícia Federal como um dos envolvidos no esquema de irregularidades na Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), relacionado a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O caso veio à tona após uma série de reportagens do portal Metrópoles, que revelou o aumento abrupto na arrecadação de entidades que descontavam mensalidades de aposentados, somando cerca de R$ 2 bilhões em um único ano. As investigações resultaram na abertura de um inquérito pela PF e em apurações pela Controladoria-Geral da União (CGU), culminando na Operação Sem Desconto, que levou à demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
O Terra Bank, voltado para produtores rurais, foi lançado durante a ExpoZebu em 2022, em Uberaba (MG). Em seu site, a instituição se apresenta como uma solução financeira para o agronegócio, oferecendo serviços digitais sem cobrança excessiva de tarifas.
No entanto, a conexão entre o banco e a Conafer chamou a atenção das autoridades. Cícero Marcelino, além de sócio do Terra Bank, atua como assessor do presidente da Conafer, Carlos Lopes. A entidade está sob investigação por supostamente promover descontos indevidos em benefícios de aposentados.
Em março deste ano, a Conafer anunciou uma parceria bilionária com o Terra Bank para financiar projetos de melhoramento genético bovino, com previsão de investimento de R$ 5 bilhões. Enquanto isso, a PF aponta que Cícero Marcelino estaria envolvido em operações suspeitas de lavagem de dinheiro, incluindo transações com pessoas ligadas a figuras do governo anterior.
De acordo com as investigações, há indícios de que recursos desviados do INSS possam ter sido redirecionados por meio desse esquema, criando um ciclo para ocultar a origem ilegal dos valores.
A reportagem tentou contato com os envolvidos, mas não recebeu retorno até o momento.
Sem comentários! Seja o primeiro.