Em meio à repercussão de um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) que viralizou nas redes sociais, a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, se reuniu com representantes do setor bancário para discutir informações sobre empréstimos consignados. O parlamentar afirmou que um suposto desvio no INSS atingiria R$ 90 bilhões, valor que foi desmentido pela Controladoria-Geral da União (CGU), que aponta investigações focadas em descontos associativos, no montante de R$ 6,3 bilhões.
O encontro ocorreu na sede da Febraban, presidida por Isaac Sidney, e contou com a participação de executivos de grandes bancos. Gleisi reforçou a importância de divulgar dados precisos sobre os valores envolvidos nesse tipo de crédito, já que o vídeo em questão gerou interpretações equivocadas.
Apesar da suspeita de que fraudes no INSS possam ter relação com empréstimos consignados, as investigações ainda não confirmam esse vínculo. O valor mencionado por Nikolas Ferreira, na realidade, refere-se ao total de operações desse tipo realizadas em 2023, e não a desvios. Ainda assim, influenciadores como Thiago Nigro, o “Primo Rico”, amplificaram a discussão ao mencionar cifras ainda maiores, sem comprovação.
O escândalo dos descontos indevidos no INSS veio à tona após uma série de reportagens do *Metrópoles*, que culminou em uma operação da Polícia Federal e na saída de Alessandro Stefanutto, então presidente do órgão, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi.
O tema é estratégico para o governo, que tem nos consignados uma de suas principais políticas de crédito popular. Recentemente, a modalidade foi ampliada para trabalhadores CLT, com o objetivo de facilitar o acesso a empréstimos sem a necessidade de intermediários. Ministros como Fernando Haddad têm destacado a importância dessa medida para impulsionar a economia.
Em resposta ao *Metrópoles*, a Febraban negou que a ministra tenha solicitado ajuda para conter os efeitos do vídeo. De acordo com a entidade, o encontro tratou de temas como o mercado de crédito e a redução de custos financeiros, e foi Sidney quem apresentou esclarecimentos sobre os números dos consignados. A nota reforça que Gleisi apenas ouviu as explicações, sem fazer pedidos específicos.
Além de Sidney e da ministra, estiveram presentes na reunião representantes de instituições como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e entidades como a CUT e a CNI.
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