Correios quer tapar o rombo da roubalheira e funcionarios terão que pagar com cortes de jornada e plano de saúde
Diante de um déficit de R$ 2,6 bilhões em 2024, os Correios divulgaram uma série de ações com o objetivo de reduzir custos em até R$ 1,5 bilhão já no próximo ano. As decisões foram compartilhadas em um documento interno na segunda-feira (12 de maio de 2025) e incluem mudanças significativas, especialmente em relação aos benefícios dos funcionários.
Uma das alterações mais impactantes é a redução da jornada de trabalho para 6 horas diárias (34 horas semanais) no caso de empregados administrativos, acompanhada de diminuição proporcional nos vencimentos. Além disso, as férias serão suspensas temporariamente a partir de 1º de junho, retornando apenas em janeiro de 2026.
O plano de saúde também passará por ajustes, com uma expectativa de economia de 30% nos custos. A definição dos hospitais e clínicas credenciadas será negociada com as entidades representativas dos trabalhadores, mas a medida já preocupa pelo possível impacto na qualidade do atendimento.
Outras decisões anunciadas são:
– Extensão do prazo para adesão ao PDV (Plano de Demissão Voluntária) até 18 de maio;
– Realocação provisória de funcionários de agências e carteiros para unidades de processamento;
– Redução de 20% nos gastos administrativos da matriz;
– Fim do trabalho remoto a partir de 23 de junho, salvo exceções determinadas pela Justiça.
Segundo a administração da empresa, a combinação de fatores como a queda nas receitas de envios internacionais e os gastos com processos judiciais contribuíram para o cenário difícil. As medidas, conforme o comunicado, buscam “recuperar a estabilidade financeira” e permitir novos investimentos.
No entanto, as mudanças têm sido recebidas com resistência por parte dos empregados, que enxergam nas decisões um endurecimento das condições de trabalho. A gestão garante que as alterações são provisórias e reforça a disposição para negociar, mas o texto também sinaliza a necessidade de cortes profundos para reverter a situação crítica.
A situação financeira da empresa tem sido alvo de debates nos últimos meses, com relatórios internos apontando riscos de falência já em 2024. As novas ações refletem a urgência em reequilibrar as contas, ainda que sob críticas.
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