Na madrugada deste sábado (24), a capital ucraniana, Kiev, viveu mais uma noite de tensão sob sirenes e explosões, após um intenso bombardeio russo com drones e mísseis, deixando ao menos 15 feridos. O ataque ocorreu em meio a um raro momento de diálogo entre os dois países: a continuidade da maior troca de prisioneiros de guerra desde que o conflito começou, em 2022.
Segundo autoridades ucranianas, a ofensiva incluiu o lançamento de 250 drones e 14 mísseis, parte deles abatidos pelas defesas aéreas. A Força Aérea relatou que 245 drones tipo Shahed foram neutralizados, assim como seis mísseis balísticos que tinham como alvo a capital.
Vitali Klitschko, prefeito de Kiev, informou sobre danos em diferentes bairros e afirmou que os sistemas de defesa continuam operando de forma contínua. Fragmentos de mísseis atingiram edifícios, provocando incêndios e deixando feridos também na região metropolitana da cidade.
No mesmo final de semana, outro fato marcou a guerra de maneira oposta: o retorno de centenas de prisioneiros de guerra às suas casas. De acordo com os governos de ambos os lados, mais de mil militares foram libertados entre sexta e domingo, em uma troca que surpreendeu até autoridades envolvidas nas negociações.
Na cidade de Chernihiv, no norte da Ucrânia, familiares se reuniram ansiosos à espera dos ex-combatentes. Muitos seguravam fotos e bandeiras, enquanto buscavam rostos conhecidos entre os recém-chegados. Algumas das pessoas libertadas sequer estavam listadas oficialmente — uma prática comum em trocas anteriores, segundo fontes de Kiev.
O presidente Volodimir Zelensky comemorou o retorno dos soldados, mas voltou a criticar Moscou pelos ataques contínuos. “A guerra persiste porque a liderança russa insiste em prolongá-la. Somente sanções mais duras podem forçar uma mudança de postura”, declarou.
Katarina Mathernova, embaixadora da União Europeia na Ucrânia, reforçou o posicionamento ao afirmar que os bombardeios contradizem qualquer intenção de cessar-fogo por parte da Rússia.
Apesar do ambiente hostil, a troca de prisioneiros oferece um breve alívio e representa um dos poucos canais de contato direto entre os dois governos. As negociações, realizadas recentemente em Istambul, ainda não resultaram em avanços concretos rumo à paz, mas deram início à elaboração de propostas que podem, eventualmente, levar ao fim das hostilidades.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, mencionou que Moscou prepara um documento com termos para um possível acordo “abrangente e duradouro”. Segundo ele, o texto será apresentado oficialmente à Ucrânia após a conclusão completa da operação de troca.
Nos bastidores da diplomacia internacional, o ex-presidente dos EUA Donald Trump celebrou publicamente o avanço na troca, escrevendo em sua rede social que esse movimento poderia “abrir caminho para algo maior”.
Enquanto isso, a guerra segue em curso, com mais de 20% do território ucraniano sob ocupação russa e a população civil tentando sobreviver entre momentos de esperança e novos episódios de destruição.
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