A recente elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), determinada pelo governo federal, começou a impactar significativamente o segmento de turismo e consumidores que utilizam serviços financeiros ligados a câmbio. A medida atinge diretamente quem compra moeda estrangeira ou faz transações com cartões internacionais fora do país.
Empresas do setor turístico já identificam um possível desaquecimento na busca por viagens ao exterior, reflexo direto do aumento no custo final de pacotes internacionais. A expectativa, segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), é de um reajuste entre 2% e 3% nos preços praticados para destinos fora do Brasil.
Com o novo cenário, especialistas apontam que os viajantes devem se adaptar para conter gastos. Isso pode significar reduzir o tempo de permanência no exterior, escolher acomodações mais acessíveis e evitar despesas extras durante a viagem.
Marcos Arbaitman, presidente da Maringá Turismo, destaca que a mudança afeta especialmente quem já havia programado férias para locais populares como Estados Unidos e Europa. Muitos consumidores financiaram essas viagens e agora se deparam com custos adicionais inesperados.
As novas alíquotas do IOF já estão em vigor: para cartões internacionais e cheques de viagem, o imposto subiu de 3,38% para 3,5%. No caso da compra de moeda em espécie, o salto foi mais expressivo — de 1,1% para 3,5%.
Para Aldo Leone, CEO da operadora Agaxtur, o aumento gera insegurança no setor. Segundo ele, a falta de previsibilidade fiscal traz impactos negativos tanto para a economia quanto para o planejamento financeiro de empresas e consumidores.
Plataformas digitais que operam com câmbio, como Wise e Nomad, também já começaram a aplicar a nova taxa de 3,5% em suas operações. O encargo atinge transações como envio de dinheiro ao exterior e compras com cartão, inclusive entre contas de um mesmo titular.
A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) alerta que o reajuste pode alterar o valor final de pacotes que já foram vendidos, sobretudo nos casos em que ainda há pagamentos a serem efetuados em moeda estrangeira. Marcelo Oliveira, assessor jurídico da entidade, recomenda que agências revisem contratos e informem os clientes sobre eventuais cobranças extras.
Segundo a Braztoa, consumidores que adquiriram pacotes diretamente com operadoras não devem sofrer alterações no valor. No entanto, aqueles que compraram por meio de outras plataformas e ainda não embarcaram podem enfrentar custos adicionais por conta da nova carga tributária.
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