Alerta na Bahia: Casos de esporotricose apresentam salto de 370% e acendem sinal vermelho para tutores
O que deveria ser um momento de carinho entre tutores e seus animais de estimação tem exigido cautela redobrada na Bahia. A esporotricose, doença fúngica que atinge pele e órgãos, consolidou-se como um grave problema de saúde pública no estado. Desde março de 2025, a condição passou a ser de notificação compulsória em todo o Brasil, obrigando clínicas e hospitais a registrarem cada ocorrência no sistema nacional.
Na Bahia, os números revelam uma escalada preocupante. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que o estado saltou de 269 casos em 2021 para 996 em 2024, um aumento de quase 370%. Embora 2025 tenha apresentado uma estabilização sutil (951 registros), os índices permanecem elevados. Apenas nos três primeiros meses de 2026, já foram contabilizados 98 novos infectados.
Diferente de outras enfermidades comuns na infância, a esporotricose baiana tem um alvo definido: mulheres em idade produtiva. Cerca de 64% dos diagnósticos entre 2021 e 2026 foram no público feminino, com maior incidência na faixa dos 40 aos 59 anos.
Segundo a veterinária Stéfany Figueirêdo, o dado reflete o comportamento social. “Geralmente são as mulheres as principais cuidadoras dos animais ou responsáveis pela manutenção de jardins, entrando em contato direto com gatos doentes ou solo contaminado”, explica.
Foi o que aconteceu com a servidora pública Taísa Teixeira, 46 anos. Ao tratar de sua gata doente, ela negligenciou a proteção das pernas. “Ela cravou a unha na minha pele. A ferida não sarava e ficou em carne viva”, relata Taísa, que precisou de meses de tratamento para se curar.

Do que se trata e como identificar?
A esporotricose é causada por fungos do gênero Sporothrix. Nos humanos e animais, manifesta-se inicialmente como pequenos nódulos que evoluem para úlceras (feridas abertas) que exsudam secreção e não cicatrizam.
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Vetor Principal: O gato doméstico é o animal mais afetado e o principal transmissor para humanos, devido ao hábito de arranhar e morder.
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Tratamento: Longo e rigoroso, dura no mínimo três meses com antifúngicos.
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Risco: Se ignorada, a infecção pode se tornar sistêmica, atingindo órgãos como o pulmão.
Interiorização: O avanço para além da capital
Embora Salvador continue sendo o epicentro, a doença está se espalhando. Em 2021, a capital detinha 59,1% dos casos do estado; em 2025, esse percentual caiu para 44,9%, indicando um crescimento acelerado no interior.
Cidades da Região Metropolitana, como Camaçari (que foi de 7 para 152 casos anuais), e cidades do interior, como Feira de Santana, demonstram a força da disseminação. Feira, que não tinha registros em 2021, fechou 2025 com 127 casos.
Guia de Proteção: Como manter seu pet e sua família seguros
Para conter o avanço do fungo, especialistas recomendam medidas rígidas de manejo e higiene:
| Categoria | Medidas Recomendadas |
| No Lar | Instalar telas em janelas para evitar que gatos tenham acesso à rua (“saidinhas”). |
| Prevenção Animal | A castração é fundamental para reduzir brigas territoriais e exposição ao fungo. |
| Manejo de Doentes | Usar luvas descartáveis e avental ao manipular animais com feridas. Isolar o pet doente de outros bichos. |
| Higiene Pessoal | Lavar as mãos com água e sabão após o contato com pets. Usar calçados e luvas ao manipular solo ou plantas. |
| Em caso de óbito | Nunca enterrar o animal; o fungo sobrevive na terra. A recomendação sanitária é a cremação. |
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