Lula em Nova York em meio a tensões diplomáticas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York para seu décimo discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, que celebra sua 80ª edição. A única vez em seus três mandatos que Lula não participou do evento foi em 2010.
CA equipe presidencial está mantendo o discurso de Lula flexível até o último momento. Isso se deve às tensões atuais com os Estados Unidos, o que permite que o Brasil reaja imediatamente a possíveis novos acontecimentos. O governo americano, por sua vez, anunciou na segunda-feira (22) a inclusão da esposa de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), na Lei Magnitsky. O próprio relator da ação contra a conspiração golpista já havia sido sancionado em julho.
As relações entre Brasil e EUA enfrentam a pior crise em mais de 200 anos, exacerbada por sanções contra autoridades brasileiras e uma taxação de 50% sobre produtos do Brasil. Integrantes do grupo Bolsonarista já antecipavam que novas medidas seriam anunciadas enquanto Lula estivesse nos EUA. O retorno de Lula a Brasília está programado para a noite de quarta-feira (24).
Na semana anterior, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou à Fox News que o Estado de Direito no Brasil estava se deteriorando após a condenação de Bolsonaro. Ele deu a entender que os EUA poderiam anunciar medidas adicionais contra o Brasil em breve, afirmando: “Haverá uma resposta dos EUA a isso, e é sobre isso que teremos alguns anúncios na próxima semana ou mais sobre quais passos adicionais pretendemos tomar.”
Em sua fala na ONU, Lula deverá defender a soberania e a democracia do Brasil, que, segundo o texto, foram alvo de ataques durante o governo de Trump. No entanto, é provável que ele evite mencionar o ex-presidente americano diretamente.
Encontros na ONU e diplomacia
Lula falará na ONU pouco antes do presidente americano, cujo discurso é visto como imprevisível. A grande questão para os diplomatas brasileiros é se o republicano mencionará o Brasil e Jair Bolsonaro em sua fala. Uma menção sinalizaria a importância da condenação de Bolsonaro — por tramar um golpe de Estado — para os EUA.
Nos bastidores, há a possibilidade de um encontro informal entre Lula e Trump. Assessores presidenciais acreditam que, no máximo, poderia haver um aperto de mãos, mas uma conversa mais aprofundada é considerada improvável, já que ambos se revezarão no púlpito. Lula não solicitou um encontro com Trump, e a Casa Branca também não demonstrou interesse. Ainda assim, interlocutores do presidente afirmam que ele não se recusaria a um cumprimento, caso a oportunidade surja.
Brasil exclui os EUA de evento sobre democracia
Diante das tensões atuais, os Estados Unidos foram excluídos da segunda edição do evento “Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo”. O encontro, agendado para a quarta-feira (24) em Nova York, é articulado por Lula em parceria com líderes do Chile, Espanha, Colômbia e Uruguai. A expectativa é reunir representantes de cerca de 30 nações.
No ano passado, sob a gestão de Joe Biden, os EUA participaram da primeira edição do fórum. A decisão de não convidar Washington desta vez foi tomada em conjunto com os países aliados. A justificativa é que as recentes ações dos EUA sob a gestão de Trump — que questionam a democracia e atacam instituições brasileiras — tornam sua presença incoerente em um evento que defende a democracia e busca combater o extremismo global. Segundo o governo Lula, convidar os americanos seria contraditório, dadas as crescentes tensões desde julho.
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