Em um áudio de janeiro de 2023, o ex-juiz auxiliar de Alexandre de Moraes, Airton Vieira, desabafou com Eduardo Tagliaferro sobre a exaustiva rotina de trabalho imposta pelo ministro. Na época, Tagliaferro liderava a criação de perfis ideológicos de pessoas detidas em 8 de janeiro, uma tarefa solicitada por Moraes e na qual Vieira e outros auxiliares estavam envolvidos.
No áudio, Vieira expressa o quão difícil era a situação: “A coisa está feia, viu? Não estou aguentando mais em termos físicos, psicológicos, emocionais. Eu não consigo dormir sossegado, eu não tenho tranquilidade.” Ele ainda acrescenta que estava “perdendo completamente a higidez mental”.
O desabafo de Vieira se alinha com as informações da Vaza Toga 2, que revelou a produção desses fichamentos durante as audiências de custódia. No áudio, o juiz questiona a interferência de Moraes nessas audiências, dizendo “ele vem dando palpite. Espera um pouco, né?”. Vieira conclui que já havia “ultrapassado” seu limite e não sabia como a situação iria se desenrolar, embora planejava continuar no cargo para não deixar Moraes desamparado.
Um mês antes desse áudio, Vieira tinha instruído Tagliaferro a buscar evidências contra a revista Oeste. Quando nada foi encontrado, o juiz respondeu com “Use a sua criatividade…”.
O áudio, divulgado pela coluna de Paulo Cappelli no portal Metrópoles, foi gravado em 14 de janeiro de 2023. Essa data coincide com a criação de um grupo de WhatsApp por Cristina Yukiko Kusahara, chefe de gabinete de Moraes, para coordenar a produção dos fichamentos, conforme revelado pela Vaza Toga 2.
Vieira também menciona que o ritmo de trabalho era uma “pressão para tudo quanto é lado, cobrança. Tudo para anteontem. É muito difícil”. Sua queixa reflete a pressão que fontes da Vaza Toga 2 descreveram como “desumana”, um ritmo de trabalho que Kusahara chamou de “o ritmo do ministro”.
O ex-juiz auxiliar está agora sob uma reclamação no CNJ, apresentada pelo líder da oposição no Senado, por conta dessas revelações.
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