Com origem no interior do Maranhão, o Grupo Mateus construiu, ao longo de 38 anos, uma trajetória que o colocou como a terceira maior varejista do país, somando mais de 490 lojas em nove estados — dez delas situadas na Bahia. No entanto, essa expansão consistente passou a ser questionada após vir à tona um equívoco bilionário na contabilização dos estoques. A falha, apontada no balanço de 2024, fez o mercado retirar R$ 1,9 bilhão do valor da empresa e resultou em uma desvalorização próxima de 14% nas ações, conforme divulgado pelo Valor. O ajuste contábil reduziu em R$ 1,1 bilhão o valor dos estoques e ainda diminuiu em R$ 695 milhões o patrimônio líquido.
De acordo com a companhia, o problema não está relacionado a erros nos inventários físicos. Entretanto, o crescimento acelerado trouxe fragilidades: algumas unidades chegaram a ficar até dois anos sem inventário completo, e as conferências feitas por amostragem deixaram margem para furtos, desvios, alterações de códigos de produtos e lançamentos fiscais sem entrada efetiva das mercadorias. Em resposta, o Grupo Mateus destinou R$ 15 milhões ao reforço da segurança e à adoção de inventários mensais.
Para especialistas do mercado, o impacto vai além dos números. A forma como a situação foi divulgada — de maneira técnica, dentro do balanço do terceiro trimestre — gerou dúvidas e insegurança sobre a verdadeira dimensão das falhas. O episódio evidencia um ponto crítico: o ritmo de expansão do Grupo Mateus não foi acompanhado pela mesma evolução nos controles internos, criando um desajuste que agora traz consequências significativas.
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