Cunhado de dono do Banco Master aportou R$ 20 milhões em empresas da família Toffoli
Investimento realizado por Fabiano Zettel em 2021 utilizou estrutura de fundos para adquirir participação em resort no Paraná; administradora dos ativos foi liquidada pelo Banco Central nesta semana.
SÃO PAULO – Novas informações reveladas pelo jornal O Estadão detalham uma triangulação financeira que uniu os negócios da família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao advogado Fabiano Zettel. O montante de R$ 20 milhões foi injetado em empresas ligadas ao resort Tayayá, no Paraná, por meio de fundos de investimento controlados por Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e alvo de recente operação da Polícia Federal.
A Engenharia Financeira
A operação, consolidada em setembro de 2021, utilizou uma estrutura de “fundos em cascata”. Zettel figurava como único cotista do Fundo Leal, que, por sua vez, detinha a totalidade das cotas do Fundo Arleen. Foi através do Arleen que o aporte chegou às empresas Tayayá Administração e Participações e DGEP Empreendimentos.
Ambas as companhias eram controladas por Mario Umberto Degani, primo de Dias Toffoli, e tinham como sócia a Maridt S.A., empresa gerida pelos irmãos do ministro, José Eugênio e José Carlos Toffoli. Com o investimento, o fundo de Zettel tornou-se proprietário de 50% da participação societária que pertencia aos irmãos do magistrado, um negócio avaliado em R$ 6,6 milhões à época, além do aporte direto de capital.
Liquidação e Mudança de Controle
A Reag Investimentos, instituição responsável pela administração dos fundos Leal e Arleen, foi liquidada pelo Banco Central na última quinta-feira (15).
A parceria entre o fundo de Zettel e os familiares de Toffoli durou até 2025. No ano passado, entre os meses de fevereiro e julho, houve uma retirada conjunta da sociedade: tanto os familiares do ministro quanto o fundo Arleen venderam suas cotas.
O comprador e atual proprietário único do resort é o advogado Paulo Humberto Barbosa, conhecido por sua atuação na defesa dos empresários Wesley e Joesley Batista, do grupo JBS.
O Outro Lado
Em resposta ao Estadão, Fabiano Zettel confirmou ter sido o investidor do Fundo Leal, mas ressaltou que deixou o ativo ainda em 2022. Ele informou, ainda, que o fundo em questão foi liquidado definitivamente em 2025.
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