Editorial | Vitória da Conquista: Entre a herança histórica e a crítica oportunista.

Recentemente, a prefeita Sheila Lemos vem sendo alvo de uma série de críticas que, sob uma análise mais criteriosa, revelam-se desproporcionais ou movidas por interesses estritamente políticos. É inegável que essa ofensiva midiática e oposicionista ganhou força após o trágico episódio ocorrido no último dia 09, quando as fortes chuvas vitimaram fatalmente uma cidadã conquistense, arrastada pelas enxurradas.
Como toda a comunidade local, lamento profundamente a perda e compartilho do anseio de que tragédias semelhantes jamais voltem a ocorrer. Contudo, atribuir a responsabilidade exclusiva desse infortúnio à atual gestora soa como uma flagrante injustiça. O déficit de drenagem urbana em Vitória da Conquista é uma mazela estrutural histórica, cuja resolução definitiva exige rigor técnico, tempo, captação de recursos nas esferas estadual e federal, além de um amplo debate com a sociedade civil.
Basta uma observação atenta à topografia local para compreender a dimensão do desafio: a cidade está situada em uma espécie de bacia hidrográfica. Naturalmente, as águas pluviais das áreas mais elevadas convergem para o centro urbano, agravando os transtornos e somando-se, ainda, à presença de um rio que corta o município. Trata-se, portanto, de um problema de engenharia de grande magnitude.
Não tenho a intenção de servir de escudo para políticos, mas o meu compromisso com a verdade me impede de aceitar injustiças. A cobrança pública é saudável, desde que baseada na realidade e não em partidarismo cego; a história atesta que essa vulnerabilidade infraestrutural perdura há décadas.
Cumpre lembrar que a gestão de esquerda ocupou o Executivo municipal por 19 anos e não solucionou o impasse. Posteriormente, a administração do ex-prefeito Herzem Gusmão (de saudosa memória) realizou intervenções importantes de macrodrenagem mas que, dada a complexidade do quadro, mostraram-se insuficientes. Por sua vez, a prefeita Sheila Lemos vem conduzindo, ao longo dos últimos cinco anos, um contínuo processo de reestruturação viária.
É imperativo reconhecer que Vitória da Conquista é, hoje, uma metrópole regional pujante. Com uma população em constante expansão e uma frota que já se aproxima de 200 mil veículos, o dinamismo do município impõe desafios contínuos e complexos à administração pública, especialmente nas áreas de pavimentação e escoamento pluvial. Sim! Há, inegavelmente, muito a ser feito.
Diante desse cenário, o debate público exige maturidade. A oposição destrutiva e a torcida pelo fracasso da administração apenas retardam o desenvolvimento local. O momento pede menos retórica acusatória e mais colaboração republicana — a pergunta “em que posso ajudar?” torna-se essencial. O gestor público deve ser encarado como um parceiro no enfrentamento dos desafios coletivos, não como um inimigo a ser abatido. Afinal, sabotar a liderança do município visando dividendos eleitorais é o equivalente a perfurar o casco do navio no qual todos estamos a bordo.
Por fim, que o trágico caso de Rosânia sirva para nos unir em prol de soluções, e jamais como pretexto para nos afastar do cuidado essencial com os nossos concidadãos e do genuíno amor por nossa cidade.
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