Em ocupação, deputados homenageiam presos do 8/1 e pressiona por anistia
Deputados da oposição mantêm um esquema de vigília permanente no Congresso, alternando-se em turnos, para exigir a anistia irrestrita dos presos nos episódios de 8 de janeiro. Como parte da mobilização, renomearam áreas do prédio em homenagem a detidos e mortos durante os protestos.*
O auditório Nereu Ramos foi simbolicamente batizado de “Ocupação Débora Rodrigues”, em memória à cabeleireira condenada a 14 anos de prisão pelos atos de 2023. Já o plenário recebeu o nome de “Ocupação Clezão”, referência ao empresário baiano Cleriston Pereira da Cunha, que morreu na prisão após meses de custódia sem julgamento.
Negociações em andamento
Enquanto isso, líderes partidários se reúnem na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta (União-PB). O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), chefe da bancada de oposição, integra o grupo em busca de um acordo.
De acordo com informações obtidas pela reportagem, cerca de 10 a 15 parlamentares se alternam em cada turno da vigília. Eles rejeitam qualquer proposta que exclua parte dos processados, defendendo a anistia total.
O vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ), adiantou que pode colocar o tema em votação caso Motta se ausente. A oposição, porém, resiste a versões mais moderadas do texto, como a que unifica os crimes de tentativa de golpe e ataque ao Estado democrático – uma formulação que deixaria de fora o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Impasse persiste
Desde terça-feira (5), Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), discutem estratégias para destravar a pauta legislativa. A oposição, no entanto, exige clareza nas negociações antes de encerrar a obstrução.
Quem são os homenageados?
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Cleriston Pereira (Clezão): Empresário preso no Senado durante os protestos, aguardava julgamento quando morreu na Papuda, em novembro de 2023. Em depoimento, alegou ter entrado no prédio para se proteger e negou participação em crimes. A PGR já havia se manifestado favoravelmente à sua soltura, mas o STF não analisou o caso a tempo.
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Débora Rodrigues: Condenada por pichar a estátua do STF, a cabeleireira baiana conseguiu prisão domiciliar no fim de março após intervenção da PGR. Mãe de dois filhos, enviou carta ao ministro Alexandre de Moraes expressando arrependimento. Seu processo aguarda conclusão no Supremo.
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