Após a morte do ativista norte-americano Charlie Kirk, publicações nas redes sociais comemorando o assassinato resultaram na demissão, suspensão ou punição de pelo menos 26 indivíduos nos Estados Unidos e no Brasil. Os dados foram compilados pelo portal Poder360 a partir de entrevistas, notícias e comunicados oficiais.
Nos EUA, a pressão por demissões é endossada por políticos do Partido Republicano, incluindo apoiadores do presidente Donald Trump, e por outras figuras de direita. No Brasil, uma mobilização semelhante ganhou força após uma campanha do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
O deputado compartilhou ameaças que recebeu, o que levou à exoneração e ao cancelamento de eventos de profissionais das áreas de cultura, saúde e marketing que haviam celebrado a morte de Kirk.
Casos de demissões no Brasil
- O escritor Eduardo Bueno teve um evento cancelado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, devido a uma declaração considerada extremista: “É sempre terrível um ativista ser morto por suas ideias, exceto, exceto, quando é o Charlie Kirk.”

- O neurocirurgião Ricardo Barbosa foi desligado da Recife Day Clinic por felicitar o atirador no Instagram. Seu registro profissional será agora avaliado pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). A Unimed Recife também anunciou que vai realizar uma reunião extraordinária para discutir o caso.
- Luís Otávio Kalil, sobrinho do ex-prefeito Alexandre Kalil, perdeu o emprego na Arena RM, em Belo Horizonte. A empresa justificou a decisão, afirmando que as opiniões do funcionário eram incompatíveis com os valores da instituição.
- Pedro Guida, um colaborador do Theatro Municipal de São Paulo, foi demitido por postagens como: “Vocês precisam parar de chorar por Charlie Kirk” e “Sionismo é o novo nazismo, representado por neonazistas como Charlie Kirk. Vergonha.”
- Victor Oliveira de Moraes, que trabalhava para a Volpe Mídia, teve seu contrato encerrado após escrever no X (antigo Twitter) que existem pessoas que “precisam ser assassinadas” e ameaçar Nikolas Ferreira com a frase: “Chupetinha, tu tá na lista”. O termo “Chupetinha” é uma ofensa homofóbica e pejorativa usada por opositores do deputado.
O caso Charlie Kirk e a reação nos EUA
Charlie Kirk, de 31 anos, morreu após ser baleado no pescoço enquanto fazia um discurso na Universidade Utah Valley. Tyler Robinson, de 22 anos, foi preso pelo FBI dois dias depois de confessar o crime.
As represálias nos EUA não se limitam às redes sociais. Um site anônimo chamado “Expose Charlie’s Murderers” foi criado para expor fotos, nomes, cidades e empregos de 41 pessoas acusadas de endossar a violência política na internet, alegando ter recebido mais de 30 mil denúncias.
Várias empresas americanas também tomaram medidas. A Reuters informou que a Nasdaq demitiu uma funcionária por postagens sobre Kirk. A Delta Airlines e a American Airlines suspenderam colaboradores pelo mesmo motivo, conforme reportagens da Business Insider e da CNN. Em um comunicado interno, Ed Bastian, CEO da Delta, afirmou que as mensagens dos funcionários “ultrapassaram o limite do debate saudável e respeitoso”.
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